Vidas que marcam Hilário de Poitiers viveu no séc. IV e foi um grande defensor da fé católica contra o arianismo. A heresia do padre egípcio Ário (256-336) dizia que Jesus era uma criatura de Deus, ainda que excelente, mas só criatura. Contra o arianismo, o Concílio de Niceia (ano 325) proclamou que Jesus foi “gerado, não criado, consubstancial ao Pai” – como proclamamos no Credo.
Hilário nasceu numa família pagã e converteu-se ao cristianismo, já adulto, depois de ter procurado a verdade na filosofia do seu tempo. Em 353, foi eleito bispo de Poitiers (França), numa altura em que o cristianismo ainda se encontrava dividido pela heresia ariana. Defensor da igualdade do Filho com o Pai, Hilário foi perseguido por um imperador com simpatias pelo arianismo e exilado. Escreveu então: “Enganam-se os que crêem que conseguirão fazer-me calar. Falarei pelos escritos; e a Palavra de Deus, que ninguém pode destruir, voará livre”.
Regressou do exílio na Turquia em 360, com várias obras escritas, entre as quais a mais importante, “De Trinitate” (“Sobre a Trindade”), onde se lê, como recordou recentemente Bento XVI: “Deus só sabe ser amor, e só sabe ser Pai. E quem ama não é invejoso, e quem é Pai é-o totalmente. Este nome não admite compromissos, como se Deus só fosse Pai em certos aspectos e noutros não”. Hilário e os seus escritos tiveram grande influência no Sínodo de Paris, que levou os bispos gauleses a regressar à fé de Niceia.
São Martinho, que seria bispo de Tours, e Hilário encontraram-se várias vezes. Martinho fundou um mosteiro perto de Poitiers que ainda existe. Hilário morreu no dia 13 de Janeiro de 367, sendo proclamado doutor da Igreja em 1851 por Pio XI.
