Hipertensão arterial, doença silenciosa e perigosa

Saúde Ocorrem cerca de 40.000 mortes todos os anos em Portugal devido à hipertensão arterial e a outras doenças cardiovasculares com ela relacionadas. No nosso país, existem cerca de um milhão de hipertensos. Destes, apenas metade tem conhecimento que a sua tensão arterial se encontra elevada e muitos deles não têm a doença controlada. Hoje sabe-se que a adopção de um estilo de vida saudável pode prevenir o aparecimento da doença e que a sua detecção, intervenção e acompanhamento precoces podem reduzir o risco de incidência de doença cardiovascular. Texto de José Carlos A. Costa

Como se define?

Designam-se por hipertensão arterial todas as situações em que se verificam valores de tensão arterial superiores aos desejados. Para esta caracterização, consideram-se valores de tensão arterial sistólica (pressão máxima) superiores ou iguais a 140 mm Hg (milímetros de mercúrio) e/ou valores de tensão arterial diastólica (pressão mínima) superiores a 90 mm Hg. Inversamente, uma situação de hipotensão (tensão diminuída), se a pressão arterial descer para valores de sistólica inferiores a 90 mm Hg e a diastólica inferior a 50 mm Hg. A tensão arterial indica a pressão a que o sangue está sujeito no interior dos vasos sanguíneos. Quando a pressão arterial aumenta demasiado coloca em risco a integridade da rede vascular (veias, artérias e capilares), diminui a irrigação sanguínea e compromete o fornecimento de oxigénio às células.

Quais as causas?

A causa da hipertensão arterial nem sempre é conhecida, embora em muitas situações seja possível encontrar uma doença associada que pode ser a verdadeira causa. Por exemplo: a apneia do sono, a doença renal crónica, algumas cardiopatias, disfunções da tiróide e distúrbios hormonais. A hereditariedade e a idade são também dois factores a ter em atenção. As pessoas idosas são propensas à hipertensão. Nesta faixa etária, a vigilância deverá ser maior. Mais de um terço das pessoas com idade superior a 65 anos são hipertensas. A ausência de quaisquer sintomas durante a fase inicial da doença faz da medição regular da tensão arterial uma prática preventiva a valorizar. Todos os adultos, em particular as pessoas obesas, ansiosas e extremamente emotivas, diabéticas, fumadoras e com história de doença cardiovascular pessoal ou familiar, devem medir regularmente a sua pressão arterial.

Factores de risco

A obesidade, alimentação desregrada, a ingestão exagerada de sal, o alcoolismo, sedentarismo ou inactividade, tabagismo, desequilíbrios emocionais, insónia e o stress, são situações anómalas promotoras da hipertensão. O café e o açúcar também não primam a boa saúde.

Avaliação

O diagnóstico poderá ser feito através da medição da pressão arterial e a sua avaliação feita por um médico. Só é considerada hipertensão quando surgem valores elevados em, pelo menos, três avaliações seriadas. Compete ao médico avaliar, classificar e propor a terapia adequada. Uma vez iniciada uma terapia farmacológica, não se deve interromper sem aconselhamento do médico que a prescreveu. A pressão arterial num adulto pode variar temporariamente devido a factores como o esforço físico ou o stress, sem que tal signifique permanência de hipertensão ou necessite de medicação.

Principais sintomas

Regra geral, o advento da hipertensão não provoca quaisquer sintomas. É, simultaneamente, uma doença perigosa e silenciosa. Em alguns casos pode, contudo, manifestar-se através de sinais como a ocorrência de cefaleias (dores de cabeça), tonturas ou um mal-estar vago e difuso, que é comum a muitas outras doenças. A pressão arterial persistente pode lesar os vasos sanguíneos e os órgãos vitais, nomeadamente o cérebro, o coração e os rins, sendo as medidas de prevenção e de promoção de hábitos saudáveis, uma boa solução para a cura.

Prevenção e controlo

A adopção de um estilo de vida saudável constitui a melhor forma de prevenir a ocorrência da hipertensão arterial. Comer com sobriedade, sem exageros na comida e nos temperos é uma atitude acertada. A redução do sal, de alimentos de origem animal e de substâncias gordas traz vantagens na prevenção da doença. O hábito de consumir alimentos de natureza vegetal é, indiscutivelmente, uma boa prática alimentar no combate à doença. Evitar as tensões neurológicas e as situações de grande ansiedade também previne e ajuda a controlar a pressão do sangue. Ingerir diariamente uma quantidade de líquidos de boa qualidade biológica e adequada às necessidades do organismo, ajuda os rins a colaborar no controlo da doença. O exercício físico controlado, ajustado à idade e às condições físicas da pessoa, assim como, o descanso reparador durante o sono contribui, positivamente, para a prevenção e controlo da hipertensão. Convém sublinhar que a monitorização da tensão arterial é, hoje, um cuidado de saúde muito importante a praticar por todos os adultos.