Nascido em Ílhavo, no ano de 1933, e actualmente a residir em Ovar, Hipólito Andrade foi designado pelo historiador e mestre de História da Arte Moderna, Amaro Neves, como “pintor da Ria de Aveiro e mestre da aguarela em Portugal”.
Hipólito Andrade foi evocado por Amaro Neves, nas Jornadas de História Local – Património Documental Aveiro 2011, que decorreram na Biblioteca Municipal de Aveiro por iniciativa da ADERAV. Este historiador aveirense revelou ao Correio do Vouga que tem pronto para publicação um livro sobre a vida e obra desse pintor ilhavense / ovarense, faltando somente uma editora.
Hipólito Andrade iniciou a sua carreira na escola de desenho, pintura e escultura da Vista Alegre. Ainda jovem, emigrou para Luanda, cidade onde a sua veia artística começou a ser notada com a realização de algumas exposições individuais, iniciando também uma colaboração profícua com a imprensa, como ilustrador. Durante a sua permanência em Angola, na década de 1960, foi distinguido com alguns prémios de pintura.
De regresso ao continente, e com o reconhecimento artístico já granjeado em Angola, Hipólito Andrade afirmou-se como um dos nomes incontornáveis da aguarela portuguesa, sendo considerado por Amaro Neves como o “mestre da aguarela em Portugal, entre as décadas de 1970 a 1990”, tendo ainda deixado uma “obra notabilíssima ao nível da pintura, do desenho e da caricatura. Fez 115 exposições individuais, em Portugal”, tendo também exposto n o estrangeiro, com destaque para França.
Nos seus quadros, alguns dos quais também a óleo, Hipólito Andrade demonstra a sua grande capacidade para o desenho, arte que aperfeiçoou ao limite, com trabalhos notáveis na área da paisagem, da ria e do meio rural, tendo transposto para a tela as mais diversas paisagens de Portugal, do Minho ao Algarve, e do litoral ao interior serrano.
Hipólito de Andrade é filho de Armando Andrade, um antigo mestre escultor cerâmico que se notabilizou na fábrica de porcelanas da Vista Alegre. Apesar de uma carreira notável nas artes plásticas, Hipólito Andrade está praticamente esquecido em Ílhavo, como revelou Amaro Neves ao dizer que “nesta cidade, praticamente ninguém sabia identificar o nome”, o mesmo acontecendo com o pai.
C.F.
