História e arqueologia náutica

Sorria – Jornadas da Ria Inserido no programa das Jornadas da Ria de Aveiro “Sorria”, no Museu da Cidade foram apresentadas as palestras “A Ria de Aveiro e a arqueologia náutica em Portugal”, por Francisco Alves, e “Testemunhos históricos da influência do terramoto de 1755 na Laguna de Aveiro”, por Clara Sarmento e Alexandre Cardoso.

Francisco Alves, director do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática / Instituto Português de Arqueologia, coordena a campanha de investigação arqueológica actualmente em curso na Ria de Aveiro, a qual já delimitou sete zonas (de Aveiro A a Aveiro G) onde foram descobertos vestígios arqueológico relacionados com embarcações aí naufragadas na Época Medieval, nomeadamente nos séculos XIV e XV.

A descoberta fortuita, em 1992, no Canal de Mira (um pouco a sudoeste da Ponte da Barra), de um pequeno achado arqueológico, por um pescador local, Carlos Neves Graça, deu início a um longo trabalho de pesquisa, que culminou com a campanha arqueológica no terreno, a qual permitiu descobrir o resto de uma embarcação, dos meados do século XV, bem como do respectivo carregamento. A partir de então as investigações arqueológicas têm prosseguido, como aconteceu com as recentes dragagens, durante as quais foram encontrados novos vestígios e delimitadas novas áreas de intervenção.

Devido a esses achados arqueológicos, a Ria de Aveiro passou a “ocupar um lugar cimeiro na história da arqueologia náutica em Portugal”, referiu Francisco Alves, para quem, a “Ria de Aveiro, com a sucessão de achados arqueológicos nas últimas décadas, veio contribuir decisivamente para o conhecimento dos navios que fizeram a fama de Portugal no ocaso da Idade Média e nos alvores do Renascimento”.

Clara Sarmento, doutorada em Cultura Portuguesa e autora do livro “Quadros flutuantes – Os moliceiros da Ria de Aveiro”, e Alexandre Cardoso, mestre em Gestão de Riscos Naturais, apresentaram o resultado de um trabalho de investigação histórica e cartográfica sobre os efeitos do terramoto de 1755 (conhecido por “Terramoto de Lisboa”) e do maremoto (ou tsunami) que originou, na região da Ria de Aveiro. A palestra que apresentaram levanta algumas questões pertinentes sobre os efeitos que a conjugação de duas catástrofes (terramoto e maremoto) desse género provocaria actualmente nesta região.

C.F.