Homilias do padre dominicano que era filósofo

Livro José Augusto Mourão

Quem vigia o vento não semeia

Pedra Angular

368 páginas

São raros os livros de homilias. Exceptuando as dos papas, as de alguns bispos e as de um ou outro padre, por vezes mais pela força da comemoração de alguma data redonda do que pelo valor intrínseco dos textos, não se publicam homilias em Portugal. Já alguém escreveu que depois do P.e António Vieira, no séc. XVII, nunca mais houve sermões dignos de voltarem a ser lidos com gosto. Por isso se diz na contracapa deste livro de José Augusto Mourão: “Do que aqui se trata é da reabilitação cultural de um género, o da homilia”.

Com estas 67 homilias do filósofo e padre dominicano, falecido no 5 de Maio de 2011, em Lisboa, “a homilia torna-se a grande ocasião de leitura, e de uma apaixonada leitura, do que nos é mais próximo e mais distante, do que podemos entender das moções da alma e dos movimentos do corpo, do que significa o presente profético do mundo e o futuro utópico de Deus” (da contracapa).

Um excerto quase ao acaso: “Para quem conhece apenas o possível, nenhuma doce persuasão, que vem do Espírito, é possível. A persuasão é um fruto do jardim do impossível e do inútil. Só o Espírito despertará o espírito, levando-nos da demissão à responsabilidade e à missão. De resto, de que serve uma religião se não for isto: resposta e responsabilidade?” (pág. 123).

José Augusto Mourão (1947-2011), frade da Ordem de São Domingos, era professor de Semiótica e Hiperficção e Cultura na Universidade Nova de Lisboa. Publicou dezenas de livros e artigos académicos (filosofia e literatura). No campo não académico destacam-se “A Palavra e o Espelho”, “Luz Desarmada”, “O nome e a forma” (poesia).