Poço de Jacob – 128 Em Fátima, a Hóstia Branca é um ponto fundamental da Mensagem por se tratar do próprio Jesus Redentor, que se oferece na Eucaristia para nos salvar.

A Eucaristia é chamada a fonte de onde nasce a Igreja. A primeira referência está quando Lúcia celebra sua primeira Comunhão. No fim da celebração, ela olha para uma imagem da Senhora do Rosário e diz que Maria lhe sorriu. O sorriso de Maria acompanhá-la-á com ternura até ao 13 de Maio. Lúcia nunca contava a ninguém o que lhe passava na alma, e por isso só soubemos disso quando ela escreveu as suas memórias. Quando Nossa Senhora, no dia 13 de outubro, disse que se chamava Nossa Senhora do Rosário, ela terá recordado aquele dia feliz em que, como diz santa Teresinha do Menino Jesus sobre a sua primeira Comunhão, Jesus lhe deu um beijo na alma. Também Maria sorriu a Santa Teresinha em Lisieux no dia 13 de maio, alguns anos antes das aparições de Fátima. Teresinha e Lúcia têm muitas semelhanças e não é por acaso que as duas foram carmelitas.

Em 1916, um Anjo que se chamou a si mesmo o “Anjo de Portugal” apareceu três vezes numa montanha perto de Fátima, chamada Loca do Cabeço. Na terceira aparição ele trazia uma hóstia e um cálice que ficaram suspensos no ar, enquanto o anjo rezava, prostrado no chão: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos e peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”. Depois ensinou-lhes uma oração que é um verdadeiro compêndio de teologia cristológica, e nessa oração ele sublinhou: “Ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra…”

A adoração eucarística e reparadora está no início da mensagem de Fatima, com o convite final e consequente de “não ofender mais a Deus, que já está muito ofendido”. A partir desses encontros com o anjo, os Pastorinhos começam uma vida de oração séria e de penitência que irá moldando mais e mais as suas almas para serem fiéis ao seu Batismo. Quando Maria aparece, e das suas mãos abertas sai uma luz para as crianças, elas sentem-se envolvidas na luz que é Deus, o que impressionará Francisco e fará Jacinta dizer: “Trago lume no peito”. Com essa experiência, Francisco procurará viver na intimidade dessa Luz e procurará o sacrário da sua igreja paroquial. Com Jesus no sacrário, que ele gostava de chamar “Jesus escondido”, o pastorinho passará horas de intimidade, também encontrando o Senhor na beleza na natureza. Lúcia dizia que, pelo seu carácter contemplativo, se o Francisco chegasse a ser adulto teria sido sacerdote, celebraria a Eucaristia, adoraria longamente o Senhor, fazendo de Jesus o seu grande Amor, pois o que se requer de um sacerdote é que seja uma alma enamorada por Jesus e que distribua a Hóstia Branca aos seus irmãos, como Pão da Vida.

Maria de Fátima, como sempre, desde Nazareth, aponta permanentemente Jesus como caminho para o Pai. Mas a Mensagem de Fátima, no que se refere à Eucaristia, não termina aqui. Em 1925, Maria aparece a Lúcia em Pontevedra, cidade da Galiza, onde a pastorinha era freira doroteia, e fala-lhe da devoção dos cinco primeiros sábados, que é uma verdadeira pedagogia mariana que leva a Jesus: A oração do terço com meditação da vida de Jesus, que são os mistérios do Rosário. Mais 15 minutos seguidos de meditação de um dos mistérios do Rosário, ou seja, de um dos pontos da vida de Jesus, a confissão sacramental ao sacerdote católico para limpar a alma arrependida e adorná-la com a graça divina e finalmente a Comunhão eucarística como ponto máximo da devoção dos primeiros sábados, a qual leva a pessoa à verdadeira comunhão de Vida e de Amor com o Senhor.

A Comunhão, a adoração, a Missa, começam e coroam Fátima. A Hóstia Branca é o grande sol que a todos nos une ao Senhor, verdadeiro sol da nossa vida. Sem comunhão não há vida eterna.

Terminamos com um acontecimento interessante da vida da Lúcia, quando ela vivia em Tuy, Espanha. Uma irmã do seu convento disse que Lúcia seria muito feliz, pois a 13 de Maio Nossa Senhora tinha dito que ela iria para o Céu. Isto lhe daria uma grande segurança. Lúcia respondeu: “Porque se admira, irmã? A irmã tem a mesma promessa que eu, embora não tenha visto Maria”. “Como?”, exclamou a irmã, surpreendida. Lúcia disse-lhe então: “Não comunga todos os dias? Jesus disse que quem comer o seu Corpo e o seu Sangue viverá eternamente”. A mesma promessa, a mesma segurança, que não exclui o nosso esforço por sermos fiéis à Vontade de Deus.

Vitor Espadilha