“Ide a José”

POço de Jacob – 70 Sabemos que esta frase foi dita pelo Faraó do Egipto, no tempo em que José, filho de Jacob, ultrapassadas as provas da sua vida, se tornou administrador e braço direito do chefe desta grande civilização. Se alguém, nos tempos de fome, precisava de comida dos celeiros, então ele recomendava: “Ide a José. Ele tratará das tuas necessidades”.

Esta frase bíblica do Antigo Testamento é utilizada pela espiritualidade católica na devoção e veneração de S. José. Ele é o Justo, segundo o Novo Testamento. Esposo de Maria, aceitou com Ela o desafio de cuidar do Verbo de Deus, feito homem por obra do Espírito Santo. Como Maria, ele também foi crescendo na compreensão possível do mistério que lhe tinha sido confiado pelo Senhor. O seu coração transbordava de amor por Nossa Senhora e de plena obediência à vontade de Deus, que lhe dizia, como a Abraão, “vai” e ele ia, “faz isto” e ele fazia. Não foi fácil a sua existência. Viveu oculto com Maria e Jesus, na aldeia de Nazareth, e teve a alegria de morrer entre os dois, tornando-se padroeiro da boa morte, que não consiste em morrer sem sentir, de repente no sono, mas em sermos encontrados com as lâmpadas acesas, vigilantes e preparados, na graça de Deus, esperando o céu.

S. José foi um homem que viveu ao sabor da eternidade e do desejo da vida eterna. Se a ele recorremos para as nossas necessidades económicas, por ser o administrador dos bens da Igreja e das famílias, devemos aprender com ele, como disse o P.e Cantalamessa, pregador do Papa, o valor, hoje bem perdido, da vida eterna. O mundo é demasiado materialista. As pessoas pensam em termos do imediato e da posse e do poder. Não se aceitam os defeitos, os erros, as desculpas, as limitações e contingências dos homens e das circunstâncias. Não se aceitam os sofrimentos, as renúncias, as exigências, as repreensões. Não se aceitam a velhice dos outros e tenta-se disfarçar a própria, os incómodos, as mortificações e os sacrifícios. Não se sabe esperar. E não se sabe morrer com alegria na certeza de que, de facto, não morremos mas entramos na vida.

Estamos doentes de fé na vida eterna e por isso: “Ide a José”. Estamos doentes de amor pela família, por Deus, pela religião e pelo trabalho. Por isso: “Ide a José”. Estamos doentes de esperança e de obediência, de falta de castidade e de falta de lar. Por isso: “Ide a José”. Estamos com falta de emprego, de dinheiro para as contas e de boa administração dos negócios. Por isso: “Ide a José”. Estamos surdos à voz de Deus e do magistério da Igreja, da Palavra de Deus na Bíblia e dos preceitos da fé. Por isso: “Ide a José”. Estamos necessitados de abrigo, aconchego e amor: “Ide a José”. Precisamos de conviver com o Verbo de Deus: “Ide a José”. Queremos estar com Maria para Ela nos levar a Jesus: “Ide a José”.

Não é por acaso que Santa Teresa colocou todas as suas fundações sob o seu patrocínio e praticamente todas as congregações religiosas o têm como chefe e guia. Não é por acaso que todos os santuários de Schoenstatt tem a sua estátua do lado esquerdo do altar. Que Ana Maria Javouhey chamou sua congregação de S. José de Cluny. O segredo é José. O Pai do Céu confiou-lhe os maiores tesouros da Terra e da história da humanidade: Jesus e Maria. Por isso, ele sabe cuidar muito bem das nossas responsabilidades.

Tenho comigo que casa, paróquia e lar de terceira idade, creche ou colégio católico que o homenageie, construindo-lhe um canto sagrado, rezando solenemente com a comunidade, organizando procissões como fazia Santa Teresa, e entregando-lhe as contas de cada mês, ficará ao desamparo. As contas serão pagas, os salários estarão em dia. E o nível de caridade, de fé e de harmonia nas comunidades acima citadas crescerá cada vez mais.

Já sabes então o que fazer neste mês de Março e a partir dele. Se, como diz S. Bernardo, “olha a estrela e invoca Maria”, temos de também saber que junto de Jesus S. José tem muito poder. Por isso: “Ide a José”.

P.e Vitor Espadilha