Cerca de trinta mil fiéis e numerosas personalidades políticas e religiosas participaram na Missa celebrada na Praça de São Pedro, no domingo, durante a qual Bento XVI proclamou quatro novos Santos: um maltês, um polaco, uma francesa e um holandês.
Os novos Santos são Jorge Preca, de Malta (promotor da Sociedade da Doutrina Cristã); o polaco Szymon Lipnicy (famoso pregador franciscano); a francesa Maria Eugénia de Jesus Milleret (fundadora das Religiosas da Assunção); e o holandês André Houben (muito dedicado à “cura das almas”, como confessor). Religiosos que viveram em épocas diferentes, mas que, como frisou o Papa, tinham em comum uma “forte busca espiritual”.
Na sua homilia, partindo das leituras do dia – solenidade da Santíssima Trindade – Bento XVI sublinhou que toda a santidade é dom de Deus Pai, por Cristo, no Espírito.
“É por meio de Cristo que o Espírito de Deus chega a nós como princípio de vida nova, santa. O Espírito depõe o amor de Deus no coração dos crentes na forma concreta que tinha no homem Jesus de Nazaré”.
“O Espírito de verdade revela o desígnio de Deus na multiplicidade dos elementos do cosmos e fá-lo sobretudo mediante as pessoas humanas, de modo especial mediante os santos e as santas. Só Jesus Cristo, o Santo e o Justo, é, propriamente, a imagem do Deus invisível”, disse.
“Cada um dos Santos participa da riqueza de Cristo recebida do Pai e comunicada no tempo oportuno. É sempre a mesma santidade de Jesus, é sempre Ele, o Santo, que o Espírito plasma nas almas santas, formando amigos de Jesus e testemunhas da sua santidade”, prosseguiu.
Quem são os canonizados
A francesa Maria Eugénia Milleret, nascida em 1817, filha das ideias liberais de Voltaire e da Revolução francesa, converteu-se ao catolicismo aos 20 anos de idade, depois da morte da mãe. Tornou-se a fundadora das Religiosas da Assunção, uma ordem religiosa dedicada á evangelização da sociedade e dos indivíduos e, ao mesmo tempo, atenta ás novidades e ás aspirações da época moderna. Esta religiosa foi beatificada pelo Papa Paulo VI em Roma, em Fevereiro de 1975.
Foi também intenso o percurso religioso de Jorge Preca, ordenado sacerdote em La Valleta em 1906 e promotor da Sociedade da Doutrina Cristã, uma congregação centrada na actividade missionária, que no inicio foi hostilizada pelos superiores da Cúria, mas que depois teve a possibilidade de expandir-se em todo o mundo. O Padre Preca faleceu em La Valletta em 1962 e imediatamente foi considerado santo pela sua gente. Foi beatificado por João Paulo II em Maio de 2001 em Malta.
O polaco Szymon Lipnicy nasceu na Polónia meridional e, como São Francisco, deixou todas as suas riquezas familiares e um futuro que lhe teria garantido sucesso e glória, para vestir o saio e dedicar as suas forças aos outros. Homem de oração e de acção, este franciscano tornou-se também famoso pelas suas pregações.
Quando em Cracóvia alastrou a peste em 1482, foi um dos poucos que não fugiram; ali ficou a assistir os doentes, até que, contagiado pela peste, morreu. O seu culto a nível local foi autorizado já pelo Papa Inocêncio XI em 1685. A causa de canonização foi retomada em 1948.
Entre a Holanda e a Irlanda, viveu João André Houben. Fora das suas paróquias rurais, formavam-se longas filas de penitentes que queriam receber os seus conselhos e indicações espirituais. Adquiriu fama de santidade quando ainda era vivo. Em 1988 João Paulo II proclamou-o Bem-aventurado.
Ecclesia/CV
