Igreja convida a superar discriminações para com os ciganos

Comité Católico Internacional reuniu-se em Fátima para debater inclusão das comunidades ciganas. “Não basta hostilizar ou ignorar”, alertou D. Jorge Ortiga.

A Igreja Católica em Portugal afirmou a sua vontade de trabalhar para que sejam superadas as “discriminações e intolerâncias contra a comunidade cigana. A posição foi assumida pelo presidente da Comissão Episcopal responsável pela área da Mobilidade Humana, D. Jorge Ortiga, durante o encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIC), que terminou no domingo em Fátima.

O arcebispo de Braga manifestou-se contra as manifestações que “podem violar o princípio da dignidade humana e impedir o seu [dos ciganos] crescimento verdadeiro”.

“Importa que sejamos capazes de descortinar valores muito concretos numa cultura diferente, que a sociedade deveria harmonizar, através dum trabalho que proporcione convivência sadia sempre alicerçada na justiça e na paz”, disse D. Jorge Ortiga aos participantes, durante a homilia. Este responsável destacou a importância do “acolhimento” e de um trabalho apostólico que exige “operadores pastorais” habilitados, a que alguns apelidam de “missionários itinerantes”, pelo facto de irem ao encontro dos ciganos “em diversos lugares onde se encontram”.

“A existência de muitas experiências positivas, marcadas pela integração na sociedade, sem perder uma cultura peculiar e multissecular, estão a dizer que a Igreja não pode deter-se perante as inevitáveis dificuldades e diante de tantos fracassos de iniciativas já realizadas”, defendeu. Segundo D. Jorge Ortiga, “a fé, ao longo da história, soube acolher todas as diferenças”, para edificar “uma casa comum no respeito pelas diferenças”. “Não basta hostilizar ou ignorar”, alertou.

O Comité Católico Internacional para os Ciganos, com sede na Bélgica, foi criado em 1976 para promover o debate entre as comunidades ciganas e atender às suas necessidades humanas e espirituais.

Ag. Ecclesia