D. Carlos Azevedo afirma que o Estado devia apoiar o auto-emprego e lamenta a sobrecarga das instituições da Igreja.
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo, lamentou “a falta de resposta do Estado” a “propostas inovadoras” para fazer face à actual situação de crise social e económica. “O Estado, infelizmente, não responde sequer àquilo que lhe é proposto por parte de algumas organizações da Igreja”, assinalou.
Em declarações aos jornalistas no dia 12 de Janeiro, após uma reunião do Conselho Consultivo da Pastoral Social, o bispo auxiliar de Lisboa apresentou, como exemplo, a ausência de apoios estatais para iniciativas de auto-emprego, que receberam, entretanto, resposta de “grandes empresas e instituições bancárias”.
Para o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, é necessária atenção “às medidas de protecção social”, lamentando a sobrecarga a que têm sido submetidas as instituições da Igreja. “A protecção social não pode ser feita apenas com estas iniciativas de ajuda [da Igreja], achamos também aqui que o Estado tem de estar muito mais atento e atender a quem mais está aflito, porque às vezes parece que está mais atento a quem tem muito”, acusa.
D. Carlos Azevedo assegurou que “as pessoas têm muita confiança na Igreja e vêem que é a instituição que mais pode, neste momento, ir ao encontro de quem mais precisa”. Neste sentido, o prelado pediu que “as paróquias estejam cada vez mais mobilizadas”, apelando a um “trabalho em rede” para que cada comunidade “tenha em conta as suas situações, porque há ajudas a quem podem recorrer”.
“Surpreendente” sentido de partilha
O prelado disse que “há cada vez mais casos difíceis que aparecem um pouco por todo o país”, embora existam regiões mais afectadas, “como é o caso do Porto”. Segundo este responsável, são “situações difíceis de resolver”, estando a Igreja Católica a valer-se do Fundo Social Solidário (FSS), criado em 2010 para acorrer aos mais necessitados.
O fundo distribuiu quase 74 mil euros a 323 pessoas em Dezembro de 2010, correspondentes a 103 casos apresentados por várias dioceses, com destaque para Vila Real.
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social fala mesmo num “surpreendente” sentido de partilha, deixando um alerta: “Sabemos que a crise vai ser pior na segunda metade de 2011 e se vai prolongar no próximo ano”.
O bispo auxiliar de Lisboa revelou que há pessoas a doar “parte do seu ordenado” para o fundo, incluindo não católicos, por confiarem na “missão social” da Igreja. D. Carlos Azevedo considera que a experiência do FSS “fez notar uma experiência de grande generosidade, por parte das pessoas, para socorrer e para partilhar, mesmo estando em necessidade”.
Neste contexto, o bispo auxiliar de Lisboa deixa votos de que “esta situação tão grave” traga à sociedade “uma participação e uma responsabilidade de todos”. “Nós somos capazes de criatividade para enfrentarmos esta hora dramática para tanta gente”, concluiu.
Como ajudar
Os portugueses que desejarem contribuir para o fundo podem fazê-lo através do número de valor acrescentado 760300150; por transferência bancária para a conta «Fundo Social Solidário», com o número 1090040150 (Millenium BCP) e o NIB 003300000109 004015012; nas caixas Multibanco, preenchendo com o número 2 os campos da entidade e referência.
Segundo o site oficial da Cáritas, que actualiza quinzenalmente as contas do fundo, o saldo no dia 11 de Janeiro era de 165.713 euros.
