Igreja na mó de baixo?

Uma pedrada por semana Assim acontece por essa Europa fora, à medida que se tomou consciência de que o joio coexistia com o trigo e que se foi esfumando, em cristãos mais responsáveis, o Deus do amor aos mais fracos, débeis e indefesos. O mundo ferido nas crianças clama por justiça e pela coerência esperada dos seguidores de Cristo. E tem razão para clamar e esperar.

A debilidade moral, que a alguns pouco incomoda, se é a própria ou aquela que a sociedade fomenta, disfarçada em arrogância, nasce, cresce e desenvolve-se em todo o terreno humano. Na Igreja e na sociedade, nos indivíduos e nos grupos.

A Igreja assume, de modo público e claro, a sua necessidade permanente de purificação. Uma atitude de verdade, assim assumida, não cala os escandalizados, nem impede que rompam as suas vestes, aqueles fariseus de sempre, mestres em filtrar mosquitos e engolir camelos.

A pedofilia, que é sempre um triste sinal de fraqueza moral com consequências lamentáveis, para muitos é negócio rentável e sementeira de corrupção, que tem balcão aberto na net, e se expande, por aí fora, em revistas e filmes, sem que haja leis que julguem e condenem. Mas marcas dolorosas no coração de crianças não são só as da pedofilia. Há também divórcios que as deixam destruídas para a vida.

Não há mal social que não tenha na sociedade das pessoas a sua raiz e as suas causas.

A Igreja tem que reflectir seriamente sobre este acontecimento doloroso que a toca tão profundamente. Já o está fazendo. O seu juízo irá até às últimas consequências.

Estará a sociedade civil, os poderes políticos, os operários da noite, dispostos ao mesmo? Ou basta-lhes ser juízes severos dos pecados dos outros?