Imprensa Regional sobrevive à custa do Porte Pago

Jornais regionais têm de encontrar alternativas económicas No II Encontro das Dioceses do Centro, que decorreu em Fátima nos dias 23 e 24 e em que se abordaram técnicas de jornalismo, entre outras questões, foi sublinhado que a imprensa regional está a viver à custa do Porte Pago, sem conseguir encontrar alternativas.

Na opinião de alguns intervenientes, urge fazer um esforço de adaptação aos novos tempos, apostando na profissionalização dos quadros jornalísticos e empresariais, porque os jornais não terão hipóteses de sobrevivência se teimarem no esforço de simples amadores.

O Encontro nasceu de uma iniciativa dos Bispos do Centro (Aveiro, Viseu, Leiria, Coimbra, Guarda e Portalegre/Castelo Branco), sendo a organização da Comissão Episcopal e do seu Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja.

Para ajudar na reflexão que se impunha e que foi sentida por aqueles Bispos, participaram José António dos Santos, José Geraldes, José Maria Ribeirinho, Óscar Mascarenhas e José Manuel Fernandes, sendo moderadores os padres João Lavrador e António Rego.

Temas como a realidade e a importância da Imprensa Regional, notícia, entrevista, reportagem, editorial, crónica e grafismo serviram de ponto de partida para que os participantes pudessem pensar sobre a situação concreta que experimentam no dia-a-dia, tendo, decerto, alguns ficado alertados para a urgência de se apostar na remodelação ou melhoria dos seus jornais, a vários níveis.

Defendeu-se o associativismo, a concentração de jornais em empresas bem dimensionadas e preparadas para enfrentarem a concorrência, a procura de alternativas ao Porte Pago que mais tarde ou mais cedo vai acabar, sendo garantido que muitos jornais estarão condenados a desaparecer, tanto pela exiguidade da sua expansão como pela pobreza gráfica e de conteúdo com que se apresentam.

No Encontro foi frisado que Portugal, com os seus dez milhões de habitantes, tem 900 títulos na Imprensa Regional, enquanto a nossa vizinha Espanha, com os seus 40 milhões tem apenas 400 jornais, devendo apostar-se em menos títulos e mais leitores, sobretudo mais jovens, já que este sector da comunicação social está grandemente voltado para a faixa etária próxima dos 60 anos.

Por outro lado, foi sublinhado que a Imprensa Regional tem de continuar ligada às suas raízes e à sua Região, cultivando os afectos e um jornalismo de proximidade, mostrando-se, também, aberta aos homens e mulheres concretos, com os seus problemas e anseios. Ainda foi denunciado que o caciquismo em alguns meios está numa fase crescente, referindo-se que os jornalistas têm de saber evitar a pressão exercida por alguns autarcas, mantendo-se alheios às lutas pelo poder.

Nessa linha, importa acreditar que temos obrigação de apostar em mudar o mundo em qualquer actividade, sendo missão do jornalista fornecer elementos, num clima de lealdade, para que os leitores possam optar livre e conscientemente, na hora de decisão.