O Bispo de Aveiro benzeu e o primeiro-ministro inaugurou no sábado passado o edifício das Florinhas do Vouga, também conhecido por Domus Ecclesiae (Casa da Igreja), em funcionamento desde Setembro de 2008.
A nova casa das Florinhas, instituição criada em 1940, de carácter diocesano, embora a sua acção incida mais cidade de Aveiro, acolhe 53 crianças na creche (nova valência), 80 no jardim-de-infância e 50 nas actividades de tempos livros (ATL) e a cozinha social, que confecciona refeições para as diversas valências e serviços, alguns espalhados pela cidade. A estrutura custou cera de um milhões de euros, faltando saldar cerca de 200 mil euros, conforme adiantou o presidente da direcção, P.e João Gonçalves.
Na sessão que decorreu no Salão D. João Evangelista (pertença da instituição), D. António Francisco lembrou que as Florinhas destinavam-se “a amparar as crianças, a saciar as bocas famintas e a acolher as famílias para quem só havia «restos de manta a tapar o frio e pedaços de esteira a servir de enxerga»”, tendo hoje outras funções. “Setenta anos depois da sua fundação é outra a vida das crianças e das famílias e bem diferente a realidade humana e social de Aveiro. Mas continua a ser necessária esta instituição. Como instituição da Igreja, as Florinhas do Vouga vivem a ousadia da caridade evangélica, onde se espelha e afirma o amor de Deus pelo seu povo e como instituição prestigiada e amada de Aveiro sentem-se ao serviço da cidade, da Diocese e da região. Não pode ter limites nem demoras o serviço aos mais pobres. Os pobres não podem esperar. Que o digam os sem abrigo, que diariamente recebem a Ceia com calor! Não pode haver fronteiras no horizonte da missão que Florinhas do Vouga assumiu ao procurar fazer bem o bem, lá e sempre, onde for necessário. Que o digam tantas vidas sofridas, espelhadas no rosto das crianças da Creche, do Jardim de Infância e do ATL, na voz tantas vezes silenciada das famílias do Bairro de Santiago, dos carecidos de refeição ou de vestuário, no olhar ansioso de jovens e adultos em busca de um futuro digno e na procura preocupada de tantos outros que sabem que aqui encontram portas sempre abertas e gente de coração livre e disponível para iluminar caminhos de alegria e de esperança”, afirmou o Bispo de Aveiro.
José Sócrates respondeu ao Bispo de Aveiro: “Não se agradece o que é nosso dever. Eu é que vos quero agradecer e agradeço a participação da Igreja e das Florinhas do Vouga, que dão o seu melhor para fazer do nosso país um país melhor”. O primeiro-ministro afirmou que os programas sociais, desde 2004, têm investido 120 milhões de euros por ano (contra os 19 milhões em anos anteriores) e justificou os investimentos como “medidas de apoio à natalidade”. “Criar boas condições para que as famílias tenham onde deixar as suas crianças é um primeiro passo para estimular a natalidade”, frisou, numa altura em que “toda a Europa está a passar por uma «peste branca»” que é a falta de nascimentos.
O primeiro-ministro manifestou agrado por, numa altura de crise, as instituições sociais dizerem “presente” ao assumirem o programa Emprego 2009 (ver texto ao fundo). “O apoio ao emprego tem de ser prioridade para todos”, disse. “No esplendor da generosidade, as instituições querem integrar mais pessoas, para que mais pessoas tenham a oportunidade de serem úteis para a sociedade”.
Jorge Pires Ferreira
Contratos do programa Emprego 2009 assinados em Aveiro
No âmbito do programa Emprego 2009, 142 instituições de carácter social da Região Centro vão criar 1686 empregos e estágios profissionais. Os contratos foram assinados na sessão de Aveiro.
No capítulo do emprego, as instituições recebem apoio financeiro da Segurança Social (subsídio de desemprego mais 10%) e têm de completar o ordenado de quem empregam com mais 10%, subsídio de alimentação e deslocações. O programa estatal tem várias variantes, podendo ser consultado em www.emprego2009.gov.pt.
O Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Fernando Medina, disse ao Correio do Vouga que espera que no final do programa muitos dos empregados fiquem nas instituições, até porque “terão uma vantagem nas respectivas funções em relação a outros candidatos”. O Centro Social Paroquial de Santa Marinha de Avanca vai criar 15 empregos segundo estas condições. É apenas um dos exemplos.
