Instituto Raiz assinala cem anos da plantação

“Eucaliptos centenários da Quinta de São Francisco” Em 1906, na sua Quinta de São Francisco, ou Quinta de Vale de Soão, em Eixo, Jaime Magalhães Lima plantou cerca de oitenta espécies de plantas do género “Eucalyptus” (“eucalipto”). Cem anos volvidos sobre esse acontecimento, de que resultou uma das maiores colecções europeias de eucaliptos, o Raiz – Instituto de Investigação da Floresta e Papel editou o livro “Eucaliptos centenários da Quinta de São Francisco”, da autoria de Lísia Lopes, do Herbário do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

O livro começa com a nota do editor, seguida por uma breve resenha histórica da Quinta de Vale de Soão, desde 1896, ano em que Jaime de Magalhães Lima a herdou, e “rebaptizou” para Quinta de São Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, até à presente data, agora sob a tutela do Raiz.

A obra prossegue com algumas considerações sobre o género “Eucalyptus”, após o que apresenta e ilustra os principais caracteres morfológicos identificativos dos eucaliptos, nomeadamente no que se refere à casca, folhas (juvenis e adultas), inflorescência (em qualquer época do ano, na Quinta de São Francisco há pelo menos uma espécie de eucalipto em flor), botão e fruto.

A parte central do livro é a descrição dos eucaliptos centenários da Quinta de São Francisco. Em 1985, Ernesto Goes realizou o último grande inventário dos eucaliptos da quinta, tendo identificado 52 taxa (“espécies”) dos 80 inicialmente plantados por Jaime de Magalhães Lima. Destes 52, apenas 37 (26 espécies, 2 híbridos, 8 subespécies e 1 variedade) foram reconhecidos no terreno, sendo estes os descritos no livro. O livro, com textos em português e em inglês, termina com um extenso glossário e a bibliografia e está à venda na livraria da UA por 12 euros.

Jaime de Magalhães Lima (1858 – 1936) distinguiu-se como escritor, poeta, ensaísta, pensador, jornalista e homem da cultura, que também se empenhou na vida política, como deputado e presidente da Câmara Municipal de Aveiro.

O interesse de Jaime Magalhães Lima pelos eucaliptos teve início por volta de 1880, mas acentuou-se a partir de 1902. Até à sua morte, em 1936, na Quinta de São Francisco, foi um autêntico investigador de eucaliptos, tanto na sua vertente económica como científica.

Ainda no corrente mês, o Raiz deverá editar um livro sobre a avifauna da Quinta de São Francisco, habitat natural, onde já estão identificadas 38 espécies de aves.

Investigação da floresta ao papel

Anualmente, a Quinta de São Francisco é visitada por mais de mil alunos, provenientes de escolas de todo o país, e de todos os níveis de ensino, desde o pré-primário ao universitário, incluindo de mestrados e doutoramentos, bem como por pessoas de diversos sectores, desde o florestal e o papeleiro ao da comunicação social e público em geral.

Em 1996, quando o Raiz – Instituto de Investigação da Floresta e Papel foi criado, por iniciativa das empresas Portucel e Soporcel, e do qual a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, o Instituto Superior de Agronomia e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), também foram sócios fundadores, o local escolhido para o acolher foi a Quinta de São Francisco, propriedade adquirida pela Portucel – Empresa de Celulose e Papel de Portugal, SA., em 15 de Setembro de 1982.

O Raiz desenvolve actividades de investigação aplicada nas diferentes áreas da fileira, desde a floresta ao papel. Presta apoio tecnológico e de formação especializada às diferentes unidades operacionais do grupo Portucel / Soporcel. A par disso, colabora com uma rede de universidades portuguesas (Aveiro, Beira-Interior, Coimbra, Trás-os-Montes e Alto Douro, Instituto Superior de Agronomia) e estrangeiras, o que tem contribuído para o reforço da competitividade do sector da pasta e papel.

Para além de assinalar o centenário da grande plantação de eucaliptos, a publicação deste livro coincidiu com o 24º aniversário da aquisição da propriedade pela Portucel e com o décimo primeiro aniversário da fundação do Raiz.