Invencível o desemprego? Bloqueada a economia

Questões Sociais Quase toda a gente reconhece que o desemprego é um problema extremamente grave; não só pelo nível já alcançado, mas também porque não existem perspectivas de solução à vista. Em ordem a esta solução, fala-se bastante do crescimento económico, de transformações nas estruturas produtivas, de qualificação dos «recursos humanos», de inovação, de incentivos ao investimento produtivo, de descentralização política, de modernização de vários sistemas – judiciário, educativo, da saúde, da segurança social, do laboral…Tudo isto é absolutamente indispensável, sem dúvida, mas também se reveste de enorme dificuldade e fica muito aquém do que é necessário. Com efeito existem, na base explicativa do desemprego elevado, três realidades estruturantes, que passam bastante despercebidas e que neutralizam grande parte dos esforços desenvolvidos para o atenuar. São elas: a saturação económica – real ou aparente; o dinamismo tecnológico pujante; e a conflitualidade social permanente.

A saturação económica traduz-se na sensação de que existem poucas novas oportunidades de negócio. Parece que a capacidade produtiva instalada ocupou todos os espaços sectoriais e territoriais, revelando uma capacidade extraordinária para garantir a produção de novos bens que sejam necessários; as novas empresas de base tecnológica inovadora surgem como «excepções que confirmam a regra». Talvez que esta «saturação» seja só aparente, até porque a respectiva sensação já aconteceu noutras fases da história económica; no entanto, é sentida como real por muitos potenciais investidores e por outros cidadãos, sobretudo pelos desempregados que desejam criar os seus postos de trabalho ou esperam que outras entidades os criem.

A pujança do dinamismo tecnológico traduz-se no esforço de investigação e na difusão de inovações diversas nas actividades económicas e em toda a sociedade. O avanço tecnológico não favorece, em geral, a criação de emprego; com frequência, as empresas mais avançadas tecnologicamente só precisam de quadros de pessoal muito reduzidos e altamente qualificados, votando os restantes trabalhadores à precariedade e aos baixos salários. Para cúmulo, as ciências, as doutrinas e os movimentos sociais não propõem modelos humanistas e realistas de gestão, capazes de neutralizar as tendências para a opressão laboral.

A conflitualidade social, latente ou declarada, resulta de tudo isto e da limitação de horizontes. Observa-se por toda a parte; as suas conotações ideológicas vão desde a extrema esquerda até à extrema direita, e não escondem os apelos verbais à violência.

Pode afirmar-se que o desemprego se apresenta como invencível; em rigor, ele nunca foi vencido no passado, está a agravar-se hoje em dia, e não se registam expectativas consistentes de erradicação no futuro. Em contrapartida não é legítimo afirmar que a economia se encontra bloqueada, uma vez que as suas potencialidades são enormes e já foi provada, no passado, a sua capacidade de superação destes impasses; acontece porém que, infelizmente, nada garante a distribuição equitativa dos frutos do crescimento económico e, por outro lado, a redução do desemprego pode não acompanhar o ritmo desse crescimento.