Investigador da UA estudou gatos doméstico em ambientes naturais

A partir de três quilómetros de casa, o gato prefere arranjar um novo lar. E é menos selvagem do que se pensava – revela estudo.

A população de gato doméstico em zonas naturais é determinada por presença humana, pelo que não circula tão livremente em zonas naturais como se pensava, embora continue a significar uma preocupação para a conservação da natureza, revela um estudo realizado por Joaquim Ferreira, investigador do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) – Laboratório Associado, em parceria com investigadores do CBA/FCUL e espanhóis (EBD/CSIC), publicado na PLoS ONE, a maior revista científica de acesso livre com revisão pré-publicação, disponível apenas online.

O estudo “Factores associados à presença humana regulam as populações de gatos domésticos em áreas naturais” analisou os padrões de ocorrência e abundância dos gatos domésticos e o modo como se movimentam em áreas naturais com baixa densidade humana, mais concretamente no sítio Rede Natura 2000 – Zona Especial de Conservação de Moura Barrancos.

Para a realização deste estudo, efectuado ao longo de dois anos, foram feitos inquéritos em 128 herdades, para além da captura de mamíferos carnívoros e rádio-seguimento de gatos domésticos na área em estudo.

A investigação demonstrou que a distribuição e o número de gatos domésticos em zonas naturais depende dos recursos disponibilizados pelo homem, sendo a sua ecologia espacial limitada pelo estado de conservação dos habitats e pela existência de uma comunidade de carnívoros silvestres bem preservada. Embora tenham sido vistos gatos domésticos em áreas naturais longe de habitações, isso não significa que aí consigam viver e constituir populações assilvestradas. Os investigadores perceberam que os movimentos diários (sobretudo impulsionados pelas fémeas) se faziam de modo a evitar grandes áreas de mato e matagais e locais de ocorrência de outros carnívoros, em particular a raposa, e que a maior distância percorrida por um macho foi de seis quilómetros, parando em várias habitações que ia encontrando. No caso da habitação mais próxima se situar a mais de três quilómetros da habitação onde está, o gato acaba por permanecer no novo local.