Investigadores da UA projectam empresa para aproveitar restos de lulas, potas e marisco

Produção de biopolímeros a partir de biomassa excedentária Um grupo de cinco investigadores da Universidade de Aveiro (UA) pretende instalar, no concelho da Covilhã, uma linha de produção de substâncias (quitina, quitosano e seus derivados), utilizando como matéria-prima excedentes da indús-tria de processamento de cefalópodes (nomeadamente estiletes de lulas e de potas) e de crustáceos marinhos.

O projecto, denominado “BioF – Functional Biopolymers”, resultou da investigação em curso realizada no Departamento de Química da UA, na área das propriedades funcionais de biopolímeros. O projecto recebeu, recentemente, o terceiro prémio do “Troféu Criar 08”, o qual visa estimular o empreendedorismo e a inovação no interior do país, motivo pelo que a empresa a criar deverá ficar na Covilhã.

A quitina, o quitosano e derivados podem ser usados em diversos sectores industriais, como espessantes em formulações alimentares, formadores de filmes e revestimentos com actividade antimicrobiana, “fibra” com capacidade para diminuir a absorção de gorduras ou na clarificação e desacidificação de sumos de fruta, biomateriais com aplicação na área biomédica, purificação de águas ou eliminação de metais pesados. Os produtos apresentam ainda actividade anti-microbiana, anti-oxidante e potencial actividade anti-tumoral e actividade benéfica em regeneração de tecidos e problemas de cartilagens e osteoatritres.

As cascas de crustáceos marinhos (camarões, caranguejos, etc.) e dos endoesqueletos de cefalópodes (lulas e potas) constituem uma fonte de biomassa importante pela sua riqueza em proteínas e quitina, embora ainda muito subaproveitadas na actualidade, contribuindo para aumentar a poluição marinha nas zonas costeiras. Os preços mais baixos para quitosanos de grau de pureza baixo rondam os 400 euros por quilo, preço relativamente elevado pela pouca concorrência industrial no sector, uma vez que somente são produzidos cerca de 30 mil toneladas por ano, com as unidades industriais centradas na Ásia e nos Estados Unidos da América. Na Europa, são poucas as empresas que se dedicam a este sector, não havendo nenhuma na Península Ibérica.