Irmã Emmanuelle deixa exemplo de compromisso e solidariedade

Faleceu, aos 99 anos, em França, Irmã Emmanuelle, “ícone da solidariedade e apoio aos pobres e marginalizados”, como era conhecida pela opinião pública. A sua solidariedade conquistou admiradores por todo o mundo. Num inquérito realizado em Agosto deste ano, os franceses apontaram-na no sexto lugar da sua preferência. Em 31 de Janeiro passado, o presidente francês Nicolas Sarkozy havia-a elevado à honra de grande oficial da Legião de Honra. Irmã Emanuelle, porém, não estava preocupada com toda esta admiração e, numa das vezes em que foi questionada sobre a sua popularidade, respondeu: “Ninguém vai escrever a minha pontuação final na pedra tumular. E às portas do céu não me vão perguntar qual era o meu índice de popularidade”.

Irmã Emmanuelle, cujo nome era Madeleine Cinquin, faleceu, na noite de 19 de Outubro, em Callian, Var (França). Nascida em Bruxelas de pai francês e mãe belga, teria completado 100 anos em 16 de Novembro. Dizia que a sua vocação tinha nascido quando, aos 6 anos de idade, viu o pai afogar-se: “Sempre procurei o absoluto, nunca o efémero”. Nos anos seguintes, cresceu como uma rapariga de classe média dos anos 20, com espaço para algumas rebeldias, como o hábito de fumar. Aos 21 anos, licenciou-se em Filosofia e Religião na Sorbonne e entrou para a Congregação de Nossa Senhora de Sião, desejando ajudar os pobres. Passou ainda 40 anos a ensinar filosofia aos filhos da elite francesa, até que, em 1971, aos 63 anos, decidiu partir para o Cairo para compartilhar a sua vida com os pobres. “Nos bairros de lata de Ezbet-Nakhl, no Cairo, entregou-se totalmente na construção de escolas, asilos e casas de acolhimento. A associação que tem seu nome (Asmae-Association Soeur Emmanuelle), fundada por ela mesma em 1980, continua a ajudar milhares de crianças pobres no mundo inteiro”, constata L’Osservatore Romano. 

Deixou o Egipto em 1993, aos 85 anos, e regressou, então, à França, dedicando o seu tempo à oração e à meditação, sem deixar nunca o apoio aos sem-abrigo e aos imigrantes sem documentos.  Escreveu alguns livros, entre os quais “O paraíso são os outros”, e o mais recente, lançado há dois meses, “Tenho 100 anos e quero dizer-lhes” (“J’ai cent ans et je voudrais vous dire”).

P.C.