Da autoria de Frei Pantaleão de Aveiro Frei Pantaleão, frade franciscano de Aveiro, foi à Terra Santa no séc. XVI e narrou a viagem num estilo quase jornalístico, em contraste com o barroco da época. A obra está exposta no Museu da Cidade.
“Itinerário da Terra Santa e suas particularidades”, obra escrita por Frei Pantaleão de Aveiro, em 1593, é um dos documentos que pode ser apreciado na exposição “BI Aveiro”, que está patente ao público, até 23 de Março, no Museu da Cidade, no âmbito dos 250 anos de elevação de Aveiro à categoria de cidade e dos 1050 anos sobre a primeira referência escrita a Aveiro.
Impressa por Simão Lopes, em Lisboa, este livro de Frei Pantaleão de Aveiro é composto por 264 folhas, com posteriores reedições, nomeadamente em 1593, 1685 e 1721, as quais podem ser consultadas na Biblioteca Nacional Digital, em www.purl.pt (purl 11485), (purl 13983) e (purl 287), respectivamente. O exemplar da primeira edição deste livro, que pode ser apreciado no Museu da Cidade, pertence actualmente à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, depois de ter integrado sucessivamente o espólio dos Cónegos Regentes de Santo Agostinho do Convento de Santa Cruz de Coimbra e do Liceu Central José Falcão (de Coimbra).
O livro descreve a viagem e permanência de Frei Pantaleão de Aveiro na Terra Santa, no século XVI, conjugando narrativa de viagem com elementos históricos e culturais e a manifestação de uma vivência espiritual e religiosa. O autor dedicou esta obra “aos devotos e desejosos de visitar a Terra Santa e os lugares dela, nos quais teve por bem nascer, morrer e subir aos Céus, o Unigénito Filho do Pai Eterno Deus e Nosso Senhor”.
Como o nome indica, Frei Pantaleão nasceu em Aveiro. Foi Frade Menor no convento da província Franciscana dos Algarves. Desde cedo, manifestou o desejo de peregrinar à Terra Santa, evento que ocorreu numa altura em que se encontrava em Roma para auxiliar o Procurador da Santa Sé. Aí, conheceu o Padre Bonifácio de Araguza, guardião do Monte Sião, em Jerusalém, que o convidou a subs-tituir os frades que tinham concluído o seu triénio ao serviço da Custódia da Terra Santa, tendo então sido nomeado confessor apostólico pelo Papa Pio IV.
Neste livro, Frei Pantaleão de Aveiro “foi registando o minucioso Itinerário da Terra Santa, publicado em 1593. E porque vivamente o franciscano descreve e narra, leva-nos consigo de Veneza a Jerusalém, acompanhamo-lo três anos pelos Lugares Santos, enchendo os olhos de imagens de pessoas e coisas, várias formas de religião e de costumes. Nem exibicionismos de erudição, nem subtilezas de conceito, nem jogos de imaginação. Simplicidade máxima de estilo, excepcional na época barroca. Apenas duas vezes, ao chegar a Jerusalém e a Belém, sua voz toma rápido tom oratório. Convive-se, lendo-o, como um perfeito irmão do Poverello, tolerante, fraterno, às vezes alegre, ante o Judeu e o Mouro, o herege e o cismático, perante o próprio renegado”, escreveu Hernâni Cidade no “Dicionário de Literatura” coordenado por Jacinto Prado Coelho, reeditado em 1994 pela Mário Figueirinhas Editora.
C.F.
Pouco se sabe de Frei Pantaleão
* Pouco de sabe de Frei Pantaleão. Sabe-se que era de Aveiro, mas não se sabe o ano em que nasceu, professou na ordem de S. Francisco, e morreu.
* Na obra que agora pode ver-se no Museu da Cidade, e que pode considerar-se um guia para visitar a Terra Santa, Frei Pantaleão pede que a emendem aqueles que nela encontrarem erros.
* De nada se queixa, Pantaleão, diz o historiador Rangel de Quadros. Apenas nota uma “pequena afronta”. Ao descer do Monte das Oliveiras, um mouro puxa pelas barbas de Frei Pantaleão…
* Frei Pantaleão escreveu também “Louvores a S. João”, que ficou em manuscrito.
* O escritor português Fernando de Campos publicou em 1986 “A Casa do Pó” (ed. Difel). Este romance histórico tem com base a obra de Frei Pantaleão de Aveiro que agora pode admirar-se no Museu da Cidade.
