Para as obras da Igreja da Vera Cruz Jeremias Bandarra, o pintor inconfundível das artes de bem saber, acolher e dialogar, contemplando, ao perto e mais ao largo, as belezas ímpares desta região, acaba de ter mais um gesto, lançando e autografando uma obra da Beira-Mar. Uma litografia foi posta no sábado à venda (40 euros) no Salão Paroquial da Vera Cruz, cujo produto integral reverte a favor do início das obras da igreja daquela paróquia, que há muito precisaria de restauração.
O telhado está a a cair, segundo informou o pároco, Padre Manuel Joaquim Rocha.“Esta estrutura será o início de todo um trabalho que o templo precisa com outros investimentos coadjuvantes,como sejam,o soalho e ainda o alargamento do salão paroquial, disse. Esta primeira fase (telhado) já foi adjudicada por 75 mil euros, referiu, tendo evidenciado “a disponibilidade do acolhimento do Jeremias Bandarra a “quem sabe se não será até um fermento a fazer germinar entre outros artistas para, em conjunto, com outros valores, poderem colocar ao serviço dos outros os seus próprios valores?” — questionou o padre Rocha. E acrescentou “é um gesto de saber acolher uma comunidade. Já foi com este objectivo que fizemos a Visita Pascal para que este povo descubra as suas raízes de solidariedade e as ponha ao serviço de todos. Fazem parte do programa pastoral deste ano: Saber acolher, acolher a todos”, comentou o Padre Rocha na continuação do que disse há dias na entrevista que concedeu ao CV.
Refira-se que, quando se iniciarem as obras, o templo vai estar encerrado durante uns três meses — Julho, Agosto e Setembro —, realizando-se os actos litúrgicos no Salão Parquial, ao lado.
Cortejo inédito, na rua, já no dia 9 de Maio, com mobilização de toda a cidade, com actividades folclóricas e similares, é todo um projecto em mãos da Paróquia da Vera-Cruz. O cortejo percorrerá todas as zonas da Paróquia e terminará no Largo Maia Magalhães com um leilão das múltiplas e variadas ofertas.
A litografia é alusiva à zona típica Beira-Mar com a torre altaneira da Igreja Matriz, envolvida no barco moliceiro, a salineira inconfundível e a estátua do Arcebispo, D. João Evangelista de LimaVidal, de que Aveiro se orgulha. E a zona da Beira-Mar, bairristicamente (e não só) tanto se ufana do Prelado ali ter tido o berço.
Gaspar Albino foi um dos artistas presentes na apresentação e disse que “outra coisa não se esperava da generosidade do artista. O Jeremias, acima de tudo, vive para a sua terra e tudo o que lhe diga lá dentro, lhe traga alegria, ele está sempre disponível! O Jeremias é cada vez mais de Aveiro, cheira mais a maresia e sabe mais a sal.”
Interrompendo um pouco a sua série de autógrafos da obra que fica à disposição, por 40 euros, na Paróquia, o Jeremias disse, sorridente e humoristicamente ao CV, ser este “um momento de cidadania”, mas de imediato, na sua introspecção, acrescentou ser sua “obrigação, como cristão, como membro de Igreja, contribuir para as obras do templo. É este o meu contributo. É modesto mas pode ser fermento para outros cometimentos a este nível. E desde já deixo aqui o repto a outros artistas a contribuírem para a valorização e perservação das obras que fazem parte do patrimónia da cidade e da sua Beira-Mar.Acho que nenhum aveirense deve deixar morrer estas relíquias do passado, que são pedras vivas”.
