Completam-se no próximo dia 8 de Março 22 anos sobre a morte de João Evangelista Loureiro, eminente pedagogo, colaborador do ministro Veiga Simão na reforma do Ensino de 1973, professor da Universidade de Aveiro nos últimos anos de vida.
A distinção com que trabalhou na área da formação de professores e da pedagogia em geral levou a que a Universidade de Aveiro desse o seu nome ao auditório do Departamento das Ciências da Educação.
João Evangelista Loureiro foi o primeiro e mais destacado defensor do “modelo integrado de formação de professores”. “A formação de professores parece dever organizar-se segundo um modelo a que chamarei «modelo integrado», correspondendo a um processo de ensino-aprendizagem que inclui gradual e simultaneamente conteúdos de carácter formativo-informativo (…)”, afirmava em finais de 1973, ao tomar posse como director da Escola Normal Superior de Lisboa. Esse modelo, hoje seguido pelas escolas de formação de professores, seria adoptado desde o início da Universidade de Aveiro com a inovação dos estágios integrados.
João Evangelista Loureiro nasceu a 2 de Fevereiro de 1926, na freguesia do Seixo, concelho de Mira. Sendo seixense, um grupo de pessoas intitulado Círculo de Amigos do Seixo promoveu no dia 2 de Fevereiro de 2008 um jantar e uma palestra sobre a figura do professor. Participaram cerca de 150 pessoas, cabendo a António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, fazer uma comunicação sobre o homenageado.
Após estudos nos seminários da Figueira da Foz e de Coimbra, João Evangelista Loureiro foi professor no Colégio de Anadia e licenciou-se em Filosofia (1951, Salamanca), em Pedagogia (1965, Madrid e Salamanca) e em Ciências da Educação (1969, Lovaina, Bélgica). Ensinou na Universidade de Lourenço Marques (Moçambique) e concluiu o doutoramento em Ciências da Educação (Psicopedagogia) na Universidade de Lovaina. Corria o ano de 1972. A tese que defendeu com “distinção e louvor” centrava-se na pedagogia do Padre Américo: “L’Obra da Rua et l’Éducation des enfants privés de milieu éductif” (“A Obra da Rua e a educação das crianças privadas de meio educativo”).
João Evangelista Loureiro passou pela Universidade do Minho (1975-78) antes de ensinar em Aveiro (1978-1986) e planeava retirar-se do ensino para dedicar-se a novas investigações quando a morte o surpreendeu no dia 8 de Março de 1986. Tinha 60 anos.
Nas cerimónias oficiais do Dia de Portugal e de Camões de 1996, o Presidente da República, Jorge Sampaio, atribuiu-lhe, a título póstumo, o grau de Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública.
J.P.F.
