JOC debateu precariedade e instabilidade no trabalho. Ao fim da noite, para fomentar a interacção e a boa disposição, houve animação com karaoke.
O Urgência Bar foi palco de um debate da Juventude Operária Católica (JOC). “A situação dos jovens no mundo laboral é de grande instabilidade”, diz Marisa Gomes. “Cada vez há mais empresas de emprego temporário; os jovens não sabem quanto tempo estão a contrato e se no final passam a efectivos ou vão para a rua, pelo que não podem fazer grandes projectos, pois vivem numa incerteza constante”, afirma a coordenadora diocesana da JOC.
Este movimento de jovens, a nível nacional, tem vindo a alertar para a precariedade e instabilidade do trabalho. Em Aveiro, a sensibilização passou por este debate, que contou com a presença de uma jovem advogada de Leiria. À luz do Código do Trabalho, a militante da JOC de Leiria respondeu a questões que surgiram do auditório. Salientou-se, por exemplo, o facto de os trabalhadores temporários terem direito a receber de indemnização dois dias por cada mês de trabalho, o que muitos desconheciam.
Do auditório surgiram vários testemunhos de injustiças laborais. Um caso: um grupo de professores foi contratado para desempenhar as mesmas funções, mas os direitos não foram os mesmos para todos. Uns ficaram a recibos verdes e outros ficaram a contrato normal de trabalho. Para mais, os de recibos verdes recebem sempre com um mês de atraso.
A JOC não tem pretensões “de dar soluções a ninguém”, porque não as tem, mas quer “dar voz aos jovens e dar uma visão mais fiel do Código do Trabalho”, diz Marisa Gomes. A acção levada a efeito foi o culminar da sensibilização (Ver – a primeira etapa segundo o método da Acção Católica; as outras são “Julgar” e “Agir”) sobre um problema que afecta milhares de pessoas e grande parte dos jovens que entram no mercado de trabalho.
Tempos difíceis
No encontro no bar de Aveiro, a JOC expôs as causas e consequências do período difícil que se vive no mundo laboral.
Causas
– Encerramento de empresas
– Lei explorada ao máximo
– Contratos temporários
– Falta de fiscalização
– Capitalismo desenfreado
– Jovens formados pelas universidades sem ter em conta as necessidades do mercado de trabalho
Consequências
– Instabilidade e medo
– Não realização profissional e pessoal
– Competitividade desenfreada por um lado, e falta de empenho e motivação por outro
– Individualismo e falta de entreajuda
– Dependência financeira.
