A Fábrica Centro Ciência Viva, nas antigas “moagens de Aveiro”, encheu-se de alunos, na última sexta-feira, para o segundo campeonato nacional de jogos matemáticos.
Vindos de 191 escolas de todo o país, depois de terem ultrapassado etapas nas suas escolas, quase mil crianças e jovens dos três ciclos do ensino básico disputaram partidas em seis jogos, chegando-se à determinação de 12 vencedores (quatro por ciclo de ensino). Os vencedores receberam computadores, enquanto os vice-campeões ganharam câ-maras fotográficas digitais. Para casa, todos levaram tabuleiros de jogos matemáticos como prémio de participação.
Ginástica para a mente
Os jogos em questão, o Semáforo (versão mais complexa e colorida do jogo do galo), o Pontos e Quadrados (similar ao que se joga numa folha quadriculada em que o objectivo é completar mais quadrículas), o Hex (co-inventado pelo matemático John Nash), o Go (jogo milenar chinês, muito popular no Japão, onde há mestres de Go, como na Europa há de Xadrez), o amazonas (jogo de bloqueio da progressão do adversário) e o Ouri (jogo de origem africana) não exigem que se saiba matemática, mas implicam raciocínios matemáticos intuitivos. São “excelente ginástica para a mente”, no dizer de Jorge Nuno, da associação Ludicum, que organizou a iniciativa “impar em qualquer parte do mundo”, com o apoio do Fábrica e da Associação de Professores de Matemática e da Sociedade Portuguesa de Matemática.
Iniciação à atitude científica
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, quis associar-se à iniciativa e visitou o campeonato ao princípio da tarde para, nas suas palavras, sublinhar “a importância que os jogos têm no estímulo da inteligência e da actividade científica”.
“A utilização dos jogos como actividade de relação entre cientistas e não-cientistas é uma ideia antiga”. Nos jogos, “as pessoas fi-cam em igualdade de circunstâncias e estabelecem parcerias simples e fáceis”, afirma o ministro, lembrando, por outro lado, que os jogos em questão “apelam a outras dimensões filosóficas, sociais e etnológicas”, visto que foram trazidos de outras culturas.
Portugal a mudar
Porém, o aspecto mais sublinhado foi a sua importância para o desenvolvimento da actividade científica. Nos jogos, “lida-se sem-pre com o elemento intuitivo: «como vou encontrar a solução?» E procura-se uma resposta não por sorte, mas por experiência, interac-ção e conhecimento”, conclui o ministro, considerando-os fundamentais para “a iniciação à atitude científica”.
A ciência, na sua dimensão prática, foi igualmente realçada pelo ministro. “O jogo é uma prática. Quem joga não está a ouvir falar; es-tá a jogar. É esse o espírito da ciência viva. Hoje não se faz ciência ouvindo falar, atrás de um vidro, para depois bater palmas e ir ao beija-mão…”, disse Mariano Gago, que considerou a elevada participação de jovens e crianças no jogos como “sinal de um Portugal que está a mudar” em relação às ciências.
