Jorge Sampaio prega optimismo e autoconfiança

Como foi largamente noticiado, o Presidente da República, Jorge Sampaio, visitou na passada semana a região aveirense, nomeadamente Murtosa, Vagos, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga e Mealhada. Foi sobretudo um encontro com o distrito de sucesso, que lhe permitiu, contudo, denunciar a riqueza escandalosa e a pobreza injusta. No entanto, a tónica desta presidência aberta foi marcada pelo clima do optimismo e do estímulo, para que se faça mais e melhor, para bem de Portugal e dos portugueses.

Jorge Sampaio, que veio sobretudo para mostrar o que de bom há na região a nível de iniciativa privada, e não só, também ouviu e olhou para o que está mal, apelando ao esforço pessoal e colectivo, no sentido de não perdermos a carruagem da Europa. “É pela capacidade de fazer bem que a região e o país podem ser atractivos, e não a fazer cada um para o seu lado”, garantiu o mais alto magistrado da Nação.

Sobre a gestão da Ria de Aveiro, reclamada em novos moldes pela Associação dos Municípios da Ria (AMRia) e pelos autarcas de alguma forma ligados à laguna, Jorge Sampaio foi peremptório: “Não gostaria de fechar os olhos sem ver uma entidade que faça a gestão da Ria.” E logo frisou que a Ria representa uma riqueza extraordinária que merece uma atenção muito especial, exigindo um tratamento global e o contributo do conhecimento científico, para um desenvolvimento sustentável.

Em diversas intervenções, o Presidente da República falou da descentralização que está de certo modo em curso, tendo sublinhado o seu apoio, referindo que “não faz sentido somar áreas metropolitanas sem que isso signifique cedências do poder central e do poder local para uma nova forma de administrar o País”.

Jorge Sampaio frisou que a aposta na formação e na inovação, com as ligações indispensáveis às Universidades, “é a chave do futuro”, sendo também a ferramenta crucial “para avançar no mundo competitivo”. Entretanto, afirmou que “as escolas profissionais, enquanto não forem substituída, são muito importantes”.

Ao reconhecer a mais-valia que está nas empresas que seguem caminhos de competitividade e de progresso, mas que também vivem preocupações sociais, o Presidente da República reafirmou a ideia de que tem de haver uma repartição equitativa dos sacrifícios que os tempos difíceis impõem aos portugueses. Todavia, não deixou de valorizar o trabalho, a competência e o rigor, enquanto condenou o contraste “entre a opulência escandalosa e a pobreza impressionante”.

Ao fazer um apelo à autoconfiança e ao optimismo, Jorge Sampaio disse que “as coisas não caem do céu”, salientando que estava farto de ouvir dizer mal e de tanto desânimo. E ao ouvir histórias de sucesso e de alto nível de produtividade e de competitividade, com referências à qualidade dos trabalhadores portugueses, “que são tão bons como os outros”, teve este desabafo: “Continuo a não perceber porque é que aqui se produz e a cem metros daqui já não se é produtivo.”

O Presidente da República lembrou, por outro lado, que as leis que nos regem são muito importantes, mas de imediato afiançou que se engana quem pensa “que as leis resolvem os problemas do quotidiano”. E porque os fundos comunitários estão a chegar ao fim, referiu que “não há tempo a perder; já perdemos muito tempo”.

No final da visita, que não pôde completar por ter adoecido, Jorge Sampaio ainda mostrou a sua satisfação pelo modo como foi recebido por empresários, trabalhadores e população em geral. E garantiu: “Fui muito criticado por mostrar coisas boas e faço-o porque todos conhecemos as más e carpir sobre isso não resolve nada. Temos factores de progresso significativos. Não temos petróleo nem diamantes, mas temos a riqueza das nossas capacidades e da nossa inteligência.”