O espectáculo não é uma alienação, não é uma alucinação de massas, não é um resultado de intervenção carismática populista. É verdade que move multidões, das centenas de milhares até aos milhões, consoante o lugar da sua realização.
Há um líder que atrai milhões de todas as idades – Jesus Cristo. Longe de alucinar, convida a uma decisão ponderada, porque o caminho é deveras exigente. Mas, à medida que se caminha, sentem-se os pulmões cheios de liberdade, sente-se o coração cheio de esperança, experimenta-se o espírito motivado pela alegria.
E, depois, é o rosto de um Pai que chama a experimentar o Seu amor, é o fogo do Espírito que suscita o desejo de rasgar ideais de infinito… E basta que alguém convoque para uma determinada data e lugar para aí estarem os Jovens a percorrer os caminhos do Mundo, rumo a Santiago, Paris, Roma ou Sidney.
A Jornada Mundial da Juventude tornou-se um facto comum na vida dos Jovens, um acontecimento habitual a espevitar a sua paixão por Jesus Cristo, a sua busca de uma fraternidade global, a sua sede de acolher o Pastor que dê estímulos e proponha percursos.
A JMJ não converte o Mundo. Todavia suscita, naqueles que a vivem, em quantos a preparam, em muitos que a acompanham, uma onda de frescura, um recobro de entusiasmo, que faz germinar novas vias de evangelização, que desperta novos obreiros do anúncio, que relança a esperança de uma civilização do amor.
É daquelas instituições que não têm que ser eternas, como a maioria delas. Mas que tem comprovados frutos de uma actualidade ainda muito viva, a desencadear e promover dinamismos úteis à Igreja dos nossos dias. Sinal, por exemplo, desta vez, de um cristianismo alegre, em meio de uma sociedade eminentemente laicizada.
É verdade que as festas, muitas vezes, deixam cansaços e desilusões, empobrecimentos e frustrações. Com a verdadeira fonte da alegria – Jesus Cristo -, em vista do Reino da Graça e da Paz, da Verdade, da Justiça, da Liberdade, do Amor e da Alegria, os cansaços físicos resultantes são a breve passagem para um trabalho mais fundamentado e entusiasta.
Assim esperamos. Do longínquo sub-continente pressentimos já a erguer-se uma aurora boreal, que se faça ver, encante e fecunde a terra a qual, mesmo quando de espírito árido, procura no céu sinais de novas ocasiões. Não é indiferente a essa expectativa a figura do Santo Padre, que acompanha, com sabedoria e palavra iluminadora, estes trajectos de jovens em busca Infinito. E, se João Paulo II arrastava com os seus dotes de comunicação, Bento XVI “fulmina” com a lucidez e firmeza dos seus pronunciamentos.
