O professor Júlio Pedrosa, presidente do Conselho Nacional de Educação, antigo reitor da Universidade de Aveiro e Ministro da Educação, foi o convidado da “conversa sobre sistemas educativos” promovida pela Plataforma Cidades.
Júlio Pedrosa apresentou os sistemas de ensino inglês e do estado norte-americano da Florida. No sistema inglês, centrado na criança (e na família), a política educativa é definida a nível nacional, mas é gerida localmente, envolvendo as comunidades locais. Essa reforma educativa, implementada a partir de 2004, visa objectivos bem definidos, que devem ser concretizados durante um prazo (cerca de dez anos) pré-estabelecido, havendo um acompanhamento permanente da concretização das medidas propostas. Tudo isso com o objectivo de se atingir níveis cada vez mais exigentes, e sempre com a preocupação de envolver a comunidade escolar (alunos, professores, escolas, famílias e autarquias) na obtenção das metas pretendidas. Em cada região, há um “director dos serviços da criança” responsável por fazer a ligação das várias políticas (educativa, social e de saúde) relacionadas com o desenvolvimento humano da criança.
Na Florida, a reforma educativa implementada desde 1999 visa diminuir o abandono escolar e facilitar a escolha da escola pelos pais. A par disso, foram introduzidos exames no final de cada nível escolar. As escolas são alvo de um ranking que tem em consideração os resultados individuais de cada aluno, a classificação da própria escola e a classificação dos alunos piores classificados. De acordo com o ranking, as escolas recebem prémios pecuniários que têm um peso significativo nas respectivas finanças.
Um documento da OCDE, citado por Júlio Pedrosa, refere que não basta a equidade no acesso à escola, mas é necessário também fomentar a equidade no sucesso escolar, nomeadamente através do apoio às crianças economicamente mais desfavorecidas ou com nítidas dificuldades de aprendizagem.
Sobre o que está a ser feito em Portugal, o orador disse que se pretende tornar universal o ensino pré-escolar e combater o abandono escolar. Para tal, é necessário iden-tificar as dificuldades das famílias em fazerem um bom acompanhamento escolar dos filhos, dificuldades devidas à insensibilidade das entidades empregadoras para com as famílias (em que pai e mãe trabalham fora) com filhos em idade escolar, mas também por desinteresse dos pais em se envolverem mais nas respectivas comunidades escolares.
No diálogo, Júlio Pedrosa desafiou os presentes a reflectirem sobre o que cada um pode fazer, em termos concretos, para todos termos uma melhor educação na nossa terra.
