Justiça, educação

1 – A festa de São Luís IX, rei de França, ocorrida um dia destes, deu-me oportunidade de relembrar as suas virtudes. Uma delas chamou-me a atenção com mais acuidade: o seu critério de justiça. Dizia ele: “Se um pobre estiver em dificuldade judicial, dê-se primeiro razão ao pobre, até a verdade aparecer”.

Que diria ele nos nossos dias e no nosso país, ante os “fenómenos” de justiça que se têm desenrolado?… Razões teria para dizer o mesmo ou muito mais, ante o evoluir dos casos públicos mediáticos que se arrastam há anos.

Quem tem dinheiro tem sempre defensores fenomenais, que apresentam recursos atrás de recursos, requerimentos atrás de requerimentos, tornando as decisões finais de tal forma complicadas que, porventura, os queixosos vêm a desanimar ante a eminência de verem reduzidas a nada as suas queixas, se não vierem mesmo a ser penalizados com fortes indemnizações.

E esta história de estarem alguns – parece, pelo menos – protegidos legalmente de serem inquiridos não deixará vazios que tornem impossível a averiguação final da verdade? Talvez o princípio de São Luís mantivesse importância e actualidade.

2 – Em final de férias e em quase início de ano educativo, soou-me muito mal a publicidade “Neste final de férias, solta o teu animal social”…

Mesmo as férias, como tempo de descontracção e descanso, são tempo educativo, porventura mais exigente. E, sendo verdade que a pessoa humana é, por essência, um ser social, em vez de “soltar o animal” o que ela precisa é de formar “o animal”, para que ele se assuma e comporte como social de qualidade.

Mais: o lazer e a descompressão, pedagogicamente ordenados, não só preparam um ano educativo de sucesso, como potenciam, muitas vezes, qualidades menos percebidas, que vêm a ser uma mais-valia para uma nova etapa de trabalho. Quantas vezes são a oportunidade encontrada de integrar ou reintegrar dimensões da personalidade que proporcionam um desenvolvimento pessoal e social mais profundo.

Valerá a pena “regular” a publicidade que se faz, estudando os seus efeitos formativos ou deformativos da pessoa humana, para que ela seja sempre um factor educativo.