No 25º aniversário do pontificado do Papa Falar dos 25 anos do pontificado de João Paulo II, o Papa que veio do Leste certamente para iniciar uma nova era na Igreja Católica, marcada impressivamente por um testemunho apostólico sem paralelo na história, é coisa fácil e simultaneamente difícil. Evocar um sem-número de acontecimentos, lembrar gestos que comoveram o mundo, dizer o que nos vai na alma por tudo o que ele nos ensinou, sugeriu e pediu é mesmo tarefa que nos deixa com a certeza da nossa pequenez.
Será normal citar encíclicas, exortações e cartas apostólicas com que catequizou os católicos e ofereceu aos homens de boa vontade, ao lado de um incalculável número de documentos, mensagens, audiências, encontros, peregrinações e viagens apostólicas; será simples recordar gestos e frases que ficaram na memória e na alma de milhões de pessoas, crentes e não crentes; será compreensível preservar no coração os seus encontros ecuménicos e inter-religiosos, numa atitude única de aproximar povos e crenças durante séculos de costas voltadas. Difícil será explicar o que sentimos ao fixar os nossos olhares na ternura que dele brota com uma naturalidade que cativa; na fé alicerçada em Cristo que dele irradia; e na convicção do seu testemunho alimentado por Deus.
Correio do Vouga tem tido o privilégio de ouvir imensa gente que nunca fugiu a falar do Papa, registando com agrado esperado a gratidão unânime de todos pelos 25 anos de João Pulo II na cadeira de Pedro. E nesta edição dá a palavra a quatro leigos que não se esquivaram, antes mostraram alegria, a dar-nos o seu testemunho, tantas vezes comovido.
Neves Vieira, vereador da Câmara Municipal de Ílhavo, sublinha que o pontificado de João Paulo II “nos dá a certeza de que Cristo está vivo e habita entre nós. A sua disponibilidade, o seu amor para com os homens do nosso tempo e a coragem com que enfrenta dificuldades, problemas e desafios do mundo actual traduzem de forma bela e santa o projecto de salvação que Deus tem para com todos os humanos reflectidos em Jesus Cristo”.
Recorda o seu carisma na defesa “dos valores da vida, do amor, da paz, da fraternidade e da felicidade humana”, como “traços principais da sua mensagem”, mas também não esquece “o fermento que se produz influenciado pela atitude e forma de estar na vida e na Igreja deste Papa”, fermento esse que “está a trazer novos homens, novas mulheres e novas gerações, onde prevalecerão o amor e a paz”.
Para a Cláudia Ventura, presidente nacional da Pastoral Operária, o Papa “é alguém muito presente, muito próximo e muito humano e com uma força interior capaz de nos transmitir um testemunho de vida e de fé muito rico e contagiante”. Mas é também “um exemplo de uma maior abertura da Igreja ao mundo, actuando sempre de uma for-ma discreta e muito eficaz”. Para esta dirigente, João Pau-lo II fomentou o ecumenismo e “valorizou a vertente social, na defesa dos mais pobres, particularmente no mundo do trabalho”, ao mesmo tempo que incita os leigos a exercerem a sua acção em todos os ambientes. E lembra como ficou “arrepiada” ao sentir e viver o silêncio de um milhão de jovens que escutavam as suas palavras serenas e a exigência “de muita fé e esperança na juventude”.
João Paulo Ferreira, finalista de Engenharia do Ambiente da UA, sublinha que o Papa levou à prática o Vaticano II, enquanto recorda como ele “orou em frente ao Muro das Lamentações” e como pediu perdão “70X7” pelos antigos erros da Igreja, “cometidos contra os irmãos de outras crenças”. Mas ainda frisa a forma como ele “cativa milhões de jovens”, tal como salienta o gesto de pedir aos católicos “para acompanharem o jejum dos seus irmãos muçulmanos, durante o último Ramadão”.
Para a Fátima Dolores, educadora-de-infância, João Paulo II, “uma vida iluminada”, mostra no seu pontificado como tem a Família, “no seu todo e nos seus elementos”, no espírito e nos projectos apostólicos. “Ainda ecoa no ouvido do nosso coração a música da grande divisa que um dia proclamou — ‘FAMÍLIA, TORNA-TE AQUILO QUE ÉS!’ —, que uniu forças, países, comunidades, pasto-rais e celebrações”. Mas também que “fez caminhar famílias, unir esposos, pais e filhos”. E vê nele um irmão que admira no regaço da MÃE do REDENTOR que, por desígnio de Deus, se fez sua Mãe também.
A Fátima Dolores, porém, não deixa de recordar que o Papa nos fez sentir o nosso País como “Terra de Santa Maria, ao promover em Fátima, em 1994, a Consagração das Famílias”. E confessa que não tem palavras para descrever “O Papa que se faz MENINO quando reza! O Papa que se faz APÓSTOLO pela Paz! O Papa que se faz GUERREIRO pelos Homens”.
