Lérias uma promessa na azulejaria

Formada no CEARTE de Aveiro No CEARTE – Centro de Formação Profissional do Artesanato / Aveiro, terminou, recentemente, mais um curso de pintura de azulejos. Dos treze formandos que o concluíram, o destaque vai para a jovem artista Lérias, de Esmoriz.

O formador dos cursos de cerâmica artística do CEARTE, Fernando José, referiu que, neste curso, “apareceu, como sempre, gente muito capaz, mas onde a Lérias realmente se destacou, porque, para além de ser capaz, é realmente portentosa. Há muitos anos que não encontrava, na pintura de azulejos, ninguém com o talento, a capacidade e a sensibilidade artística e tudo aquilo que um artista deve ter para ser um talento e um valor nacional na azulejaria”.

Por isso, o formador con-sidera que esta jovem artista “tem todas as condições para se afirmar no mercado da azulejaria», chamando, no entanto, a atenção dos industriais e dos arquitectos para que “repensem as suas posições em relação à azulejaria”. Quanto aos painéis concebidos pela Lérias, eles “não são os clássicos. Têm linguagens do nosso quotidiano, cenas completamente diversificadas, que ficarão bem em muitos interiores de qualquer casa, por muito moderna que seja”.

Para além dos painéis, Lérias executa séries individuais de azulejos, com as tradicionais medidas de 15 por 15, feitos pelo antigo processo de estampilha, que, de acordo com Fernando José, “são execuções primorosas que hoje quase ninguém faz”. A colecção é, neste momento, composta por oito azulejos, todos com temáticas relacionadas com a faixa costeira de Esmoriz ao Furadouro.

Sobre a temática dos seus painéis, Lérias realça: “Pretendo fazer uma abordagem abrangente de tudo o que gosto. Das minhas raízes de Esmoriz, como o mar e a pesca; mas tento ir à arte em geral e aos vários tipos de arte. Ao nível da azulejaria, acho que essas várias artes não estão bem desenvolvidas; parece que se parou um pouco no tempo e não se desenvolveu no que existe agora de arte, que é arte contemporânea, ou como foi a arte pop, em que parece que ninguém apostou ao nível da azulejaria. Tento abranger, até porque o azulejo é uma coisa que dá para brincar um bocadinho em termos de arte”.

C.F.