É claro para todos que a Igreja não é uma força política. Mas é uma instância da sociedade civil, como os seus filhos são também cidadãos de pleno direito e responsabilidade. Por tal motivo, quer a Igreja, pelos seus pastores, quer os cristãos, como cidadãos, têm inquestionável direito de se pronunciar sobre as coisas públicas.
Mais: a responsabilidade educativa da Igreja exige que proclame, sem receios nem rodeios, os princípios evangélicos, que devem enformar a vida dos cristãos, transformando-se em critérios e valores de actuação moral, com reflexos efectivos na vida pública. A liberdade de expressão, de aprender e de ensinar, são direitos irrenunciáveis! Erguer a voz, a Conferência Episcopal ou este ou aquele Padre, este ou aquele Leigo… é normal. Vários o fizeram; alguns muito bem; porventura, nem todos tão bem!
O que muitos quereriam era reduzir o fenómeno religioso a puro intimismo, a actuação da Igreja ao templo ou à sacristia! Incomoda soberanamente que a força do espiritual possa desafiar as opiniões absolutistas, de novo muito em voga. Os novos inquisidores – e não esqueçamos que a Inquisição foi uma instituição do Estado, que pôs a Igreja ao seu serviço – bem gostariam de poder, de novo, ditar as suas sentenças de intolerância, sejam de que sinal forem, e submeterem a Igreja ao silêncio ou às posições que favorecessem os seus gostos ditatoriais.
A propósito da homilia do Padre Lereno, houve mesmo quem sentenciasse que estávamos de volta à trilogia Futebol, Fátima, Fado, como se estas coisas não fossem riquezas do património nacional.
A formação das consciências não pode ficar entregue ao relativismo da opinião. Mas prepare-se quem quiser anunciar valores permanentes: no mínimo, será rotulado de ultrapassado; o mais certo é que venha a ser discriminado, se não até perseguido. Sim, porque hoje há formas subtis de perseguir quem não diz com os poderes, sejam os políticos, sejam os da comunicação social!
