Linguagem ambígua e apartes provocatórios no “Correio do Vouga”?

Colaboração dos Leitores Levado pelo convite que por vezes o “Correio do Vouga” faz aos seus leitores e assinantes para emitirem a sua opinião tanto crítica como de louvor, venho por este meio, e em poucas palavras, expor o seguinte.

Ao ler semanalmente o jornal começo pela primeira página, vendo os vários títulos mais apelativos, e, em seguida passo para a última, e, só depois, vou lendo página a página desde o princípio.

No jornal de 14 de março corrente, a última página tem por título “Nova linguagem nova maneira de comunicar”. E para o caso que venho trazer à consideração, permito-me transcrever textualmente os dois últimos períodos: “Será bom que os jornais de entidades ligadas à Igreja, não excluindo as pequenas folhas que por aí se distribuem aos domingos, vejam se são veículos de comunicação ou maneira de desfear o rosto da Igreja, pelo que dizem e pelo modo como o dizem. Não obstante o muito que de bom se faz, há sempre campo para rever e melhorar”.

Do relevo dado na primeira página e em toda a página 3 ao assunto sob o título “Para acabar com a solteironice” resultou em mim uma grande perplexidade face a ideias tão díspares e contraditórias. Já nem é apenas o neologismo de mau gosto, mas sobretudo pelo uso e abuso de trocadilhos de linguagem ambígua e apartes provocatórios, num conteúdo irreverente e ofensivo, resvalando para uma “demagogia” a que o “Correio do Vouga” nunca habituara os seus leitores e assinantes que o leem e contribuem para a sua publicação. Até os milhares de catequistas, a quem a Igreja tanto deve por esse mundo além, foram beliscados, eles que merecem com toda a justiça a homenagem e respeito de todos nós.

Convenhamos que textos destes “desfeiam e muito o rosto da Igreja pelo que é dito e pelo modo como é dito”.

Recordo-me de em tempos ter lido ou ouvido esta quadra: “A palavra não foi feita/ para dividir ninguém./ Palavra é a ponte/ onde o amor vai e vem”.

José Grancho