No dia 23 de Novembro têm início as comemorações do centenário da inauguração da Linha do Vouga, cujo programa se estenderá durante um ano, numa iniciativa conjunta da CP, REFER, Fundação Museu Nacional Ferroviário e das Câmaras Municipais da área de influência dos dois troços que restam da antiga linha ferroviária do Vouga (Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira e São João da Madeira).
O centenário, a importância para as populações abrangidas e o bom desempenho operacional desta linha levaram várias entidades do sector ferroviário e autarquias locais a reunir esforços para o desenvolvimento de diversas iniciativas.
Durante o ano comemorativo irão decorrer actividades muito diversas, nomeadamente uma exposição itinerante nos sete concelhos envolvidos, acções de sensibilização para a segurança ferroviária, viagens promocionais, descontos em passagens e um fórum sobre o futuro da Linha do Vouga e o desenvolvimento regional.
REFER investe dez milhões de euros
De acordo com informações divulgadas pela comissão organizadora das comemorações, a Linha do Vouga, que liga Espinho a Aveiro, via Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda), apresenta uma dinâmica crescente. Os comboios movimentaram 383.000 passageiros nos primeiros sete meses de 2008, o que representa um crescimento de 17,5% face a igual período de 2007.
A REFER anuncia um investimento da ordem dos dez milhões de euros, a concretizar nos próximos três anos, na melhoria da segurança da Linha do Vouga. Até ao ano de 2010 serão fechadas cerca de 50 passagens de nível; até ao final do terceiro trimestre de 2009 serão automatização 52 outras passagens de nível e nos seis meses seguintes ocorrerá o mesmo em cerca de outras 30. A informatização do sistema de comando e controlo da circulação é outra medida a implementar, tal como será substituído o actual sistema de comunicações entre o chefe da linha e os comboios por comunicações directas. Com essas medidas, a REFER espera reduzir, em cerca de 70%, o número de acidentes, até ao ano de 2011. Em 2006, houve 27 acidentes nas passagens de nível da Linha do Vouga.
De realçar que algumas autarquias da parte norte da Linha do Vouga, têm defendido a transformação da Linha do Vouga, principalmente no troço compreendido entre São João da Madeira e Espinho, em metropolitano de superfície, o mesmo acontecendo com as autarquias de Aveiro e Águeda que também têm proposto idêntica solução para o troço entre estas duas cidades.
O troço compreendido entre Albergaria-a-Velha e Viseu, ao longo do vale do rio Vouga (com passagens pelos concelhos de Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela e São Pedro do Sul), há muito que foi encerrado, com o desmantelamento de grandes extensões da linha e com nova ocupação para os antigos edifícios das estações.
Encerrados também há muito, e praticamente já sem qualquer vestígio no terreno, estão os antigos ramais ferroviários do Canal de S. Roque, na cidade de Aveiro, e do “Inglês”, entre a Praia de Mira e a quinta “do Inglês”, situada a sul da Praia da Vagueira.
Comemorações a norte
No dia 23 de Novembro, as comemorações irão centrar-se no ramal entre Espinho e Oliveira de Azeméis, com o descerramento de placas comemorativas nas estações das cidades de Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis. A concentração está marcada para Espinho (9 horas), onde haverá será recriada da chegada do rei a Espinho. Às 9h26, terá início a viagem de comboio rumo a Santa Maria da Feira, onde será celebrada Missa (10h), seguida de animação. Pelas 11h43, o comboio retomará a viagem em direcção à cidade de São João da Madeira, onde haverá uma visita ao Centro Coordenador de Transportes e o almoço comemorativo. O comboio retomará a viagem às 14h16, rumo Oliveira de Azeméis, onde haverá animação e a inauguração da exposição itinerante.
Linha inaugurada pelo rei D. Manuel II
No dia 23 de Novembro de 1908, o rei D. Manuel II inaugurou o primeiro troço da Linha do Vouga, entre Espinho e Oliveira de Azeméis, troço que entrou em plena exploração no dia 21 de Dezembro desse ano.
Essa linha ferroviária foi planeada em 1877, mas só a 23 de Maio de 1901 foi concedida a Frederico Pereira Palha, ou à companhia por ele organizada, autorização para construir e explorar um caminho-de-ferro de via reduzida que, partindo de Torredeita, no ramal de Santa Comba Dão a Viseu, se estendesse até Espinho e daí, por Sever do Vouga, até Aveiro, estabelecendo ligação com a Linha do Norte.
Em 1906, a concessão foi transferida de Frederico Pereira Palha para a Compagnie Française pour la Construction et Exploitation des Chemins de Fer à L’Étranger. Foi esta companhia que iniciou a exploração da linha em 1908, a qual ficou concluída em 1914, com a chegada a Bodiosa.
Em 1923, a assembleia-geral dessa companhia aprovou a sua nacionalização, dando origem, em 1 de Abril de 1924, à Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, proprietária da Companhia dos Caminhos de Ferro do Vale do Vouga.
Na sequência de um processo global de unificação da exploração ferroviária, a Companhia do Vale do Vouga, a Companhia Nacional e a Companhia da Beira Alta foram integradas na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.
Números
383.000
Passageiros no primeiro semestre
de 2008
10
milhões de euros que a REFER vai investir nos próximos três anos
50
passagens de nível que vão fechar até Março de 2009
27
acidentes sucedidos em 2006
nas passagens de nível
da Linha do Vale do Vouga
