Livro retira do anonimato Isabel da Luz de Figueiredo

Na iniciativa da ADERAV, com a Fraternidade Secular Franciscana, foi também homenageada a fiel zeladora Carlota Cecília Duarte

“Isabel da Luz de Figueiredo – Mecenas e benemérita aveirense” é o título de um livro da autoria do historiador aveirense Amaro Neves, que foi apresentado na jornada sobre arte e cultura promovida pela ADERAV (Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro), realizada no CUFC (Centro universitário Fé e Cultura) e no conjunto arquitectónico constituído pela igreja de Santo António e capela de S. Francisco.

Nessa jornada foi também homenageada, a título póstumo, Carlota Cecília Duarte, a fiel zeladora daquele conjunto monumental.

O evento contou ainda com uma palestra proferida por Isabel Dâmaso dos Santos sobre Santo António, nomeadamente sobre a sua representação artística (na pintura, escultura e azulejaria) ao longo dos séculos, tanto em Portugal como no estrangeiro.

A visita ao conjunto monumental ficou marcada pelo alerta da ADERAV para o estado de degradação em que se encontram aqueles dois templos geminados.

Mecenas Aveirense

Com o livro agora apresentado, Amaro Neves retirou do anonimato uma das mulheres que mais contribuiu para melhorar a vida social e cultural do seu tempo – Isabel da Luz de Figueiredo

Apesar das muitas diligências efectuadas, relatadas pelo autor no início do livro, não foi possível precisar a data de nascimento de Isabel da Luz de Figueiredo, o que deve ter ocorrido na primeira metade da década de 1620. Também pouco se sabe sobre a sua infância e juventude, excepto que pertenceu a uma família aveirense ligada às actividades marítimas e ao comércio.

Isabel da Luz de Figueiredo foi sepultada em Aveiro, no Convento de Santo António, ao qual deixou uma considerável fortuna de herança. Essa ligação com o convento iniciou-se ainda em vida, com inúmeras ofertas para obras e beneficência. A Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, em especial o seu hospital, foi bastante beneficiada por esta mecenas aveirense. De registar também a contribuição da mecenas para a cultura, ao instituir a fundação de um coro que, durante mais de século e meio, esteve ao nível dos me-lhores coros das catedrais portuguesas, e ao incremento que deu ao enriquecimento artístico (pintura, escultura, aquisição de livros…) das instituições.

Cardoso Ferreira