O livro “Estarreja e Murtosa nas Memórias Paroquiais de 1758” , da autoria de Américo Oliveira e Filomeno Silva, editado pela Fundação Solheiro Madureira, transcreve e faz o contexto histórico das “Memórias Paroquiais” que o Padre Luís Cardoso, um oratoriano e membro da Academia Real de Historia, recolheu em todo o território nacional metropolitano, após ter obtido do então Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Mello (Marquês do Pombal), a necessária autorização para que os párocos “enviassem novas – descrições das suas freguesias com aquelas escrupulosas, e circunstanciadas miudezas e que, impressas lhes foram enviadas”.
Os autores do livro realçam que as “Memórias paroquiais” de 1758 deram origem à “primeira e mais completa descrição do país que, pelo seu valor de conjunto, ultrapassa todas as inquirições e descrições realizadas ao longo da nossa história para obter informações e conhecer o Reino, nomeadamente no que dizia respeito ao meio físico, à população, à sociedade, à administração, às culturas de cada terra, às devoções religiosas, aos párocos e ainda aos danos ocasionados pelo terramoto de 1755”. A par disso, essa “memórias paroquiais” têm ainda a “grande vantagem de descrever a totalidade do espaço num momento concreto e de curta duração”.
Para além de fazer uma descrição do meio físico das paróquias que então constituíam o concelho de Estarreja e do seu contexto em termos administrativos (civil, judiciário, eclesiástico, entre outros), o livro inventaria pormenorizadamente as instituições religiosas, com descrição dos templos (igrejas, capelas, oratórios) e outros equipamentos de uso eclesiástico, as confrarias e irmandades, as devoções religiosas das populações, os rendimentos paroquiais e outros dados de relevante interesse histórico.
Na segunda parte do livro, são transcritas as “memórias” referentes a Avanca, Beduído, Bunheiro, Canelas, Estarreja, Fermelã, Murtosa, Pardilhó, Salreu e Veiros.
Américo Oliveira e Filomeno Silva (residentes em Vila Nova de Gaia e em Arouca, respectivamente) têm forte ligação aos concelhos de Estarreja e Murtosa. Ambos, são autores de diversos livros de investigação histórica e têm desenvolvido acção no âmbito da história local, da etnografia, do ambiente e do património construído.
C.F.
