Losango de convergência

Questões Sociais Com o título «triângulo explosivo», o artigo anterior abordou o profundo desentendimento que se observa entre cristãos considerados mais «progressistas» e mais «conservadores». A divergência é enorme, e a convergência parece impossível.

A figura do losango pode representar o caminho da convergência desejável. Tal como no «triângulo explosivo»: o vértice inferior corresponde às realidades e aos princípios doutrinários; o da esquerda aos cristãos considerados «progressistas»; e o da direita aos «conservadores». O vértice superior do losango simboliza a salvação universal que todos os cristãos e outras pessoas têm como objectivo último das suas vidas. Deste modo, os cristãos baseiam-se nas mesmas realidades, em que vivem, e nos mesmos princípios, que procuram respeitar, e tendem para o mesmo objectivo final – a salvação. Como poderão viver em convergência para este objectivo, sem prejuízo das diferenças e até das divergências?

O processo de convergência pode simbolizar-se não só nos dois lados que formam o vértice superior do losango, mas também na recta que pode ligar os dois vértices do meio. Os lados representam caminhos de convergência diferentes e sem comunicação entre si; pelo contrário, a linha central representa a procura do entendimento possível, e pode contribuir para que os caminhos diferentes de conver-gência se influenciem mutuamente. Dir-se-á que, sem a aproximação representada por aquela linha, os cristãos transmitem a imagem de procurar salvações diferentes…e incompatíveis.

O diálogo social e a acção consequente são porventura as vias mais adequadas para a procura de entendimento na divergência, e na diversidade em geral. O diálogo social, entre posicionamentos sociopolíticos diferentes no interior da Igreja, poderia ter por objecto: a análise dos problemas sociopolíticos; a clarificação da doutrina social da Igreja em relação a eles; e a procura de soluções, à luz dos imperativos da realidade e da doutrina. Os objectivos a alcançar poderiam ser basicamente três: o contributo para as soluções possíveis daqueles problemas; o fortalecimento da «rectaguarda eclesial» de cada cristão no seu compromisso social, qualquer que seja o quadrante em que actue; e, eventualmente, a promoção de iniciativas conjuntas.

A acção consequente é a que decorre desse diálogo, bem como do respeito pelas diferenças, e do aprofundamento do compromisso sociopolítico, individual e colectivo. Parece recomendável que a acção se traduza em maior consistência na prossecução do bem comum e do bem-estar de cada pessoa, em todos os aspectos. A esta luz, os diferentes posicionamentos tornam-se complementares, respeitarão o pluralismo e salvaguardarão a consciência de que ninguém possui o exclusivo das melhores soluções sociopolíticas.

O melhor testemunho dos cristãos, neste domínio, não consiste por certo na unicidade de posicionamentos, mas sim na comunhão de princípios, de objectivos finais e de diálogo fraterno.