Madre Clara, a nova beata portuguesa

Lisboa viu nascer e beatificar a fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição que terá a festa litúrgica a 1 de Dezembro.

O álbum dos beatos tem inscrito, desde sábado, 21 de Maio, mais um nome português: Madre Maria Clara do Menino Jesus, fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Depois de lida a carta apostólica pelo Cardeal Angelo Amato – representante de Bento XVI na celebração de beatificação de Madre Clara, no estádio do Restelo (Lisboa) – onde se refere que a nova beata foi “grande apóstola da ternura e da misericórdia de Deus” e tinha “profunda humildade”, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos concedeu o título de beata à venerável serva de Deus, Maria Clara do Menino Jesus.

A festa litúrgica da beata Madre Clara será “celebrada nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo Direito, todos os anos, no dia 1 de Dezembro” – leu o cardeal Angelo Amato.

Antes do início da missa – presidida por D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa – a miraculada Georgina Troncoso Monteagudo deu o seu testemunho sobre o milagre que obteve por intercessão da Madre Maria Clara, fenómeno que conduziu à beatificação da religiosa. Após o acto penitencial (cântico do “Kyrie, eleison”) e lida uma síntese biográfica da beata pela vice-postuladora da causa, irmã Maria Lucília Carvalho, decorreu o rito de beatificação de Madre Maria Clara, que a coloca nos altares.

A beata Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque nasceu na Amadora, distrito de Lisboa, a 15 de Junho de 1843, e recebeu o hábito de Capuchinha em 1869, escolhendo o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus. A religiosa foi enviada a Calais, França, a 10 de Fevereiro de 1870, para fazer o noviciado, com a intenção de fundar em Portugal uma nova congregação, que viria a ser aprovada pela Santa Sé a 27 de março de 1876.

A Madre Maria Clara morreu em Lisboa em 1899, no dia 1 de Dezembro (data em que a memória da religiosa passará a ser evocada pela Igreja Católica) e o seu processo de canonização viria a iniciar-se em 1995.

Ecclesia/CV

Papa saúda beatificação

Bento XVI assinalou no domingo, 22, a beatificação da religiosa portuguesa. Falando aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa evocou a figura Maria Clara, que ensinou «a alumiar e aquecer a multidão de pobres e esquecidos da sociedade, vendo e acolhendo neles o próprio Deus”.

“Uno-me à alegria da Igreja em Portugal”, disse, assinalando ainda a beatificação da brasileira Dulce Lopes Pontes (1914-1992), religiosa conhecida pela sua entrega aos mais pobres, que teve lugar em Salvador da Bahia, no domingo.

“Enquanto confio à intercessão das novas beatas os seus familiares e devotos, as suas filhas e irmãs espirituais e as comunidades eclesiais de Lisboa e São Salvador da Bahia, de coração concedo-lhes a bênção apostólica”, acrescentou.