Livro de Mons. João Gaspar evoca história de Aveiro, apontando acontecimentos que em 2009 completam “aniversários redondos”. São 105. A obra foi apresentada no Museu da Cidade
A mais recente obra de Monsenhor João Gonçalves Gaspar, apresentada no sábado passado, 28 de Fevereiro, no Museu da Cidade, tem uma lacuna. “Aveiro 2009. Recordando efemérides”, como notou o historiador Delfim Bismark, não refere que em 1964, há 45 anos, portanto, João Gonçalves Gaspar publicou a sua primeira obra. A lacuna dever-se-á a “simples modéstia”, adiantou o apresentador da obra do vigário-geral da Diocese de Aveiro. Este, por sua vez, acrescentou que o seu livro também não refere que em 2009 o autor completa 80 anos de vida. Estas efemérides aparentemente pessoais são também de carácter público porque a obra de há 45 anos (“A Diocese de Aveiro – Subsídios para a sua História”) é essencial para conhecer a cidade e a Diocese e porque Mons. João Gaspar, como referiu Delfim Bismark, é o autor aveirense com mais obra publicada – mais de 30 títulos – e é o único sócio-correspondente aveirense da Academia Portuguesa de História.
“Aveiro 2009. Recordando efemérides” é uma obra única no seu estilo. Recolhe os acontecimentos da história aveirense que em 2009 completam “aniversários redondos”, dos 5 aos 1050 anos, ou seja, da atribuição da Medalha de Ouro da Universidade de Aveiro a D. António Marcelino (acontecimento mais recente: 17-12-2004) à primeira referência documental a Aveiro (a doação de Mumadona Dias, de 26 de Janeiro de 959). Nestas datas redondas há, contudo, uma excepção. Mons. João Gaspar adianta a possibilidade de a referência mais antiga a Aveiro surgir na doação do D. Ordonho II, rei da Galiza (910-924), ao convento de Crestuma, no ano de 922.
No documento incluído no “Livro Preto da Sé de Coimbra” surge o “Portu de Aliouirio”, no meio de topónimos conhecidos como Branca, Ossela, Riba-Ul, Ovar… Alguns historiadores, entre os quais João Gaspar e Delfim Bismark, defendem que se trata de uma referência a Aveiro, numa época em que a grafia a oralidade sofriam grandes mudanças. Os linguistas dizem que é não impossível que o termo «Aveiro» derive de «Aliouirio», passando por «Alavarium», adiantou Delfim Birmark, corroborando a explicação de Mons. João Gaspar. Se não for uma referência a Aveiro, mais o mistério se adensa sobre o «Portu de Aliouirio».
“Recordando efemérides” revela-se uma obra muito útil (o Correio do Vouga tem-se dela servido para a página “Almanaque”). De fácil leitura, devido aos textos pequenos e às muitas ilustrações, e de fácil consulta, por causa localização das efemérides no calendário e do índice alfabético, foi pensada a partir de Novembro de 2008, surgindo agora associada aos 250 anos da cidade de Aveiro. Foi no dia 11 de Abril de 1759 que D. José I elevou a vila de Aveiro a cidade.
J.P.F.
