Mais de dois mil estrangeiros de leste já passaram pela Associação de São Bernardo

Associação de Apoio ao Imigrante “Temos dias em que atendemos cerca de meia centena de imigrantes. A Associação de Apoio ao Imigrante de São Bernardo já terá ajudado a legalizar mais de duas mil pessoas”, revela-nos Lyudmila

Decorreu na Sede da Junta de Freguesia de São Bernardo mais uma sessão de esclarecimento promovida pela Associação de Apoio ao Imigrante.

As dezenas de imigrantes que trabalham ou procuram trabalho na região ouviram alguns esclarecimentos de responsáveis por este sector nas áreas de consultadoria e apoio jurídico; no serviço de intérpretes de línguas eslavas; na tradução de documentos comuns; na tradução de cartas de condução (Rússia, Bielorrússia e Uzbesquitão e Kazaquistão; na tradução de diplomas e apoio ao processo de obtenção de equivalências académicas; no auxílio na elaboração do curriculum vitae; no apoio e consultas de âmbito social; no acompanhamento de todo o processo de matrimónio; e nas aulas de Português e Bolsa de emprego.

Esta sessão de esclarecimento esteve a cargo dos ténicos na matéria, nomeadamente Isabel Amorim, Alberto Teixeira, Inspector do IDICT de Aveiro, La Salete Oliveira, do ensino Recorrente e a grande animadora e impulsionadora, Lyudmila Bica, Professora de Russo e Hebraico da Associação.

Foram as mais diversas e pertinentes perguntas formuladas de um processo imigratório que ainda tem muitos passos a dar antes de se resolverem os mil e um problemas que abundam, como temos constatado, quer cá dentro do nosso País quer lá fora. E pouca gente responsável poderá responder àquela pergunta e outras semelhantes de uma jovem adulta que a dado passo interrogou a mesa: “podemos ter futuro neste vosso país?”

É certo que ninguém pode dar respostas perante uma política ainda muito indefinida neste universo conturbado.

Para a entusiasta Lyudmila, esta gente tem futuro cá em Portugal. “Estes imigrantes, que aqui têm visto são pessoas que chegaram aqui em boas condições e com níveis literárias boas. Há só que estudar o Português, devendo fazer as equivalências.

O nosso diálogo assentou muito neste aspecto, e os caminhos certos para não se deixarem ludibriar. “Eu julgo que Portugal é um dos países privilegiados para esta gente, porque também foi e é um País de emigrantes e sabe bem o que custa, nos primeiros tempos, ter de trabalhar fora do seu país”, diz-nos

São todos estes esclarecimentos, segundo nos disse Lyudmila, que têm prestado a mais de duas mil pessoas que procuram esta Associação.” Olhe que chegamos a atender dezenas de pessoas aqui mesmo na sede da Associação ou pelo telefone. Não temos mãos a medir e nem tempo a perder. Atendemos por dia uma média de meia centena de chamadas. Temos dois telefones, dois telemóveis, não paramos. Temos alguns dias em atendimento uma dezena de pessoas”, reforçando estar muito satisfeita pelo serviço prestado a esta gente e temos recebido apoio quer do Alto Comissário, quer doutras instituições oficiais ou privadas e da Igreja, mas esperamos também um apoio da Câmara Municipal.

Para o Dr. Alberto Teixeira, a situação ainda se mantém um pouco obscura. “Pouco ou nada temos de novo. Foi feito o recenseamento até ao dia oito e conseguiu-se a possibilidade da permanência. O IDICT está à espera que seja publicada a legislação anunciada no sentido de se examinarem os contratos de trabalho para obterem a autorização de permanência. Isso quanto aos trinta mil brasileiros que estão no nosso País. Segunda notícia recente, esta legislação também será estendida a outros imigrantes que já têm documentação em dia. Mas para o IDICT só conta quando houver legislação, como é óbvio.

Numa estimativa, e segundo aquele responsável, os não legalizados neste momento serão metade dos legalizados, o que corresponderá a meio milhão. Mas não há estimativas rigorosas.

Quanto a casos de exploração de imigrantes, referiu-nos que até este momento terão sido “detectados uns dois casos, ou melhor, foram eliminadas duas redes, uma que actuava na zona de Águeda e outra que tinha na região um pólo da rede de Lisboa.