Poço de Jacob – 77 A lista é imensa! O Espírito Santo sopra onde quer e como quer. Há muita obra oculta aos olhos do mundo. Ouço dizer as pessoas que se lamuriam: “A minha vida dava um romance. Se eu lhe contasse”. Mas a verdade é que todas as vidas são um romance. Cada história é única e irrepetível. E se não brilha no conhecimento do mundo e parece que se apaga com a sepultura, a verdade é que permanece em Deus como sua obra de Amor e, no fim, tudo será revelado. Mas alguns, exactamente os que menos querem aparecer, pois quem quer aparecer já estragou o romance, acabam por ser colocados no palco do mundo para orientar os outros. Quatro exemplos vivos do nosso tempo. Poderíamos citar mais, pois as fundações de hoje concorrem com outros tempos fecundos da Igreja: Kiko Arguello; Jonas Abib; Roberto José Lettieri, João Clá Dias, para nos situarmos na língua espanhola e portuguesa, embora do Brasil. São homens do nosso tempo. Carregados de calúnias ora pela igreja tradicionalista ora pela progressista, que são os piores perseguidores, pois são irmãos contra irmãos. A verdade é que estes se deixaram embriagar por Deus e saíram aos gritos pelas ruas, como dizia Teresa de Ávila, para evangelizar, que é a maior necessidade do nosso tempo.
Vejamos brevemente, sem nos adentrarmos no apaixonante que é a história de amor de cada um. Kiko Arguelo é espanhol de Madrid. Pintor. Era ateu. Convertido, dedicou-se aos degradados bairros de lata de Madrid, que eu também conheci através de outra gigante da fé, já falecida, que me acompanhou no seminário de Toledo. Era a Manoliu, como lhe chamávamos. Kiko mergulhou nesse mundo e para aí se mudou. Corria o ano de 1964. Quando padres e freiras abandonavam a vocação, pouco sólida, depois do Vaticano II, um Leigo como continua a ser, inspirado no Caminho Catecumenal dos primeiros cristãos, catequizou pouco a pouco, ensinando o ABC do essencial da fé, a homens e mulheres pobres de tudo. Com a viola na mão e fé no coração, conquistou e surgiu o Caminho Neo Catecumenal, que, mais que um movimento, é contributo para o crescimento da Igreja, com vivência litúrgica, bem unida aos fundamentos históricos da Igreja nascente há dois mil anos. Temos em Sever do Vouga e noutras paróquias da Diocese.
Quando Kiko abre a boca, centenas de jovens sentem-se atraídos pela sua embriaguez e ele povoa seminários e conventos em todo o mundo e acompanha igualmente sólidas famílias e consagrados no mundo.
Roberto Lettieri, jovem seminarista, hoje sacerdote, aspirando a viver isolado como ermita, faz das favelas do Brasil o seu grande convento ao estilo de Francisco de Assis, e sai gritando pelas ruas o amor por Jesus nos pobres, e na Eucaristia, arrastando atrás de si homens e mulheres jovens que, de hábito franciscano, estilo séc. XIII, enchem o barraco do pobre de amor e de Deus. São a Toca de Assis que encontramos em Balazar…
Jonas Abib, padre que, apaixonado pela evangelização, como a Irmã Angelica, dos EUA, com o EWTN, aposta nos meios de comunicação social e deixa Deus criar a Canção Nova, resposta da Igreja de Deus para a massa humana que, perdida, se deixa enredar nas seitas, também vindas do Brasil. Dispensa apresentações. Ele e a sua equipa e comunidade são todos embriagados do divino, cantando e amando numa nova evangelização.
João Clá Dias, hoje já sacerdote, deixou Deus trazer-nos uma militância monacal na Igreja que atrai centenas ou milhares de jovens em todo o mundo, numa educação dos gestos e da alma que impressiona o nosso mundo. Vestidos de modo muito interessante e cheios de espiritualidade – o que só os que têm o sopro do Espírito de Deus compreendem – anunciam o Reino de Cristo através do Coração de Maria de Fátima, levando consolação e luz a tantos e tantos corações que, embriagados, anunciam o Evangelho, ainda que o mundo faça mofa da sua apresentação no hábito tão cheio de significado, um mundo secularizado e com sinais para tudo menos para Deus. São os Arautos do Evangelho, de direito pontifício, frutos do coração apaixonado de um… de mil…
Para conhecê-los, a Internet oferece-te os sítios oficiais de cada um. E não estão sozinhos. Há muito e muito mais por aí, como as Apóstolas da Palavra, a quem o fundador, ainda vivo, dizia que deviam ter estômago de cão, pés de camelo e ombros de burro para poderem anunciar a Palavra, a pé por este mundo fora, de porta em porta; a Comunidade Emanuel; os Pequenos Filhos da Mãe de Deus; os Legionários de Cristo, etc., etc., etc. Histórias de amor com final feliz, atraindo milhares de jovens para a Igreja. São histórias de amor, como a tua e a minha história.
P.e Vitor Espadilha
