Ponta de Lança O tempo é propício à contagem do vil metal (também papel, plástico, virtual, especulativo).
Uma grande parte dos comuns mortais – a maior parte, lamentavelmente! – nem o conta; não o tem para contar. Um pequeno grupo, o que tem a maior fatia, também não precisa de o contar; porque é muito ou porque outros contam-no por eles. Ou seja, contamos nós os que apenas descontamos e, por isso, é preciso fazer contas às contas!
Então, chegados a este limite, a proximidade do Natal, aparecem os formigueiros humanos – passe a prosopopeia – em veículos familiares (automóveis em segunda mão, motorizadas, bicicletas,…) a irromperem por todos os parques de super e hipermercado, a carregarem com milhentos utensílios inúteis… para oferecer. Todos querem ter algo material para dar. Depois, esquece-se o espírito altruísta num abrir e fechar de olhos! Assim, tudo não é mais do que uma mera contagem de euros para quem não precisa de contar!
Onde está o equilíbrio? Valerá a pena o gasto se não houver gosto, dádiva, entrega, amor? Independentemente das carteiras e dos euros é evidente que o valor está apenas no que vale; naquilo que vale a pena; no duradouro; no que vem do coração, sem gastar um tostão!
Ouvíamos há dias dizer o paradigma do português (ambicioso, culto, empreendedor, dedicado), José Mourinho, que o dinheiro que ganha em publicidade destina-o a obras de assistência e solidariedade. Porquê? Porque, pensamos nós, mesmo tendo muito, mesmo podendo ter outros para o contarem, sabe contar. E isto são gestos que contam!
Neste Natal, furtemo-nos ao inútil!
Desportivamente… pelo desporto!
