Mais um contraste desta Angola!

21 de Agosto de 2006

21h, hora de oração na Capela da casa. Lá estávamos nós a rezar as Vésperas, quando se começou a ouvir um coro de muitas vozes femininas, que se aproximava com o ritmo próprio dos cantos angolanos. Depois de terem subido alguns lanços das escadas, pararam, mas o canto continuava, certo, afinado.

Nós continuámos a rezar lá dentro e lá ficámos até ao fim, com a música de fundo.

Quando saímos, deparámos com dez jovens que tinham vindo saudar o Pe. Cassoma, que fazia o 1º ani-versário da sua ordenação.

Subiram os degraus que faltavam e entraram na sala de jantar, onde a mesa já estava posta para nós.

E continuaram a cantar e encantaram-me! E comoveram o Pe. Cassoma, que acompanhava o ritmo das músicas com as mãos. Elas não tinham pressa! Nós também não!

Trouxeram, além dos cantos e dos sorrisos, uma cesta com frutas. Do nosso quintal? – perguntou o homenageado.

E, depois de uma troca de palavras, e umas boas risadas, saíram e desceram as escadas, da mesma maneira como as tinham subido, a cantar!

22 de Agosto de 2006

12h, hora de oração na Capela da casa. Lá estávamos nós a rezar a Hora Intermédia, quando se ouviu um tiro, mesmo ali, na rua em baixo. A seguir sucederam-se outros, ouviram-se gritos, vozes de gente que se ia acumulando… Foi uma confusão de barulhos!

Nós continuámos lá dentro até ao fim.

Soubemos depois que tinha sido apanhado um gatuno, que conseguiu fugir, mas, depois, foi alvejado nas pernas e apanhado de novo.

Duas horas de oração tão diferentes!

Mais um contraste desta Angola!

Ana Laura, na Paróquia

de S.Paulo – Luanda