Uma pedrada por semana Fiquei triste e dorido com a notícia. Um grupo de marginais assaltou e matou um padre de 31 anos, responsável nacional da juventude no Brasil, delegado do episcopado para este sector pastoral. Foi roubado, assassinado e abandonado, num lugar ermo, não muito longe de Brasília, a capital.
Brasília é uma cidade nova, construída de raiz há menos de cem anos, que, pela sua originalidade, traçada a régua e esquadro, impressiona quem a visita pela arrumação cuidada de cada coisa em seu lugar próprio. Também eu me impressionei quando lá fiz paragem por uns dias. Cidade sem razão para lá voltar, mas gostosa de se ver uma vez.
Porém, pouco interessam cidades novas e bem ordenadas, se pessoas que por lá vivem e as rondam, teimarem em ser velhas. Os assassinos são tão velhos como o Caim dos primeiros dias da humanidade, o assassino de seu irmão Abel.
Por aí fora, mata-se cada vez mais. Por despeito, inveja, ciúmes, ódios raciais, políticos e religiosos. Não se suportam vidas que incomodam outras vidas, que já perderam a alegria de serem humanas… Mata-se por se sofrer uma miséria não merecida, nem ultrapassada, num mundo contrastante em que a ostentação é escândalo, ultraje e provocação… Mata-se pela ânsia incontida de ter e de poder…Até se mata pelo prazer de matar e de destruir…
À medida que o mundo perde a alma, a morte é programa corrente, e todas as vidas correm perigo. À medida que alguém se despreza a si, perde a capacidade de respeitar os outros.
O padre Gisley regressava da missão, em que cada dia se gastava a favor dos jovens. Foram jovens marginais que preparam a emboscada e escreveram, com sangue, mais uma página triste da sua própria história. Fechando horizontes a um padre jovem, prejudicando muitos jovens a quem se dedicava, negaram-se, eles próprios, a serem gente viva…
Nem o bem, nem o mal, têm fronteiras próprias. Cabem em qualquer lado. Fronteiras só as que se localizam no coração de cada um. Aí começa a guerra que destrói ou o amor que constrói. E a chave do coração, porque este só se abre por dentro, tem-na cada um na sua própria mão.
