Marcos Muge restaurou altar em Ovar

O altar da capela de S. Miguel, em Ovar, foi restaurado por Marcos Muge, um artista plástico vareiro que há muito reside em Esgueira.

Marcos Muge explica o trabalho desenvolvido: “O meu objectivo, desde o início da remoção dos repintes, foi com total cuidado encontrar pintura original ou folheamento a ouro de origem. Se houvesse original, era limpar e consolidar. Infelizmente não encontrei isso, mas somente uns milímetros de azul integrado com uma preparação de gesso, correspondente ao feito nos séculos XVII e XVIII, junto da madeira por detrás das colunas e na tábua debaixo das folhas de acanto de estilo nacional em volta do nicho central”.

Após a remoção dos repintes, “que eram em branco sujo e uns restos de gesso”, o artista encontrou todo o resto da madeira num “estado caótico, esburacado, podre e débil”, pelo que só lhe restavam duas alternativas: “o deixar a madeira podre, esburacada e escura para todos verem”, ou o “refazer de toda a estrutura”.

Para concretizar esse minucioso trabalho de refazer o altar, Marcos Muge consultou a melhor bibliografia sobre arte, incluindo documentos do século XVII e XVIII e as obras actuais que são referência para o estudo da arte daquele período, tendo também visitado igrejas, conventos e mosteiros da região de Aveiro e Porto com altares daquela época. A par disso, efectuou o registo histórico sobre as várias intervenções efectuadas no altar (e na própria capela) de S. Miguel ao longo do século XX.

Para melhor se compreender o trabalho realizado, em todo o seu pormenor, Marcos Muge fez um documentário fotográfico onde mostra todas as intervenções que realizou, desde a retirada das várias camadas de tinta até ao douramento e pintura final, passando pela desinfestação, tratamento e recuperação das madeiras e pela busca de eventuais vestígios originais.

C.F.