Maria Bernarda: Da contemplação na Suíça à missão na Colômbia

Quis ser contemplativa na Suíça, mas não resistiu ao apelo à missão na América Latina. Partiu e nunca mais regressou à Europa. É a primeira santa helvética.

Maria Bernarda Bütler nasceu no dia 28 de Maio de 1848, na Suíça, e morreu no dia 19 de Maio de 1924, na Colômbia. No dia 12 de Outubro de 2008, foi canonizada pelo Papa Bento XVI, tornando-se a primeira santa nascida na Suíça. Antes dela só havia um outro santo helvético, Niklaus von Flüe, canonizado em 1947, considerado o padroeiro do país alpino.

Verena, era este o seu nome de baptismo, trabalhou numa quinta e chegou a estar noiva, mas desistiu do casamento para entrar no mosteiro de Altstatten, de vida contemplativa, onde recebeu o nome de Maria Bernarda do Sagrado Coração de Maria.

Tudo indica que estava satisfeita com a vida no mosteiro, sendo mestre de noviças e sucessivamente eleita superiora da comunidade, mas em 1888, sensibilizada por uma carta de D. Pedro Schumacher, bispo de Portoviejo (Equador), que relatava o abandono em que viviam os equatorianos, decide partir como missionária.

O bispo de St. Gallen não a quis deixar partir, pelo que Maria Bernarda e as seis irmãs que a acompanharam tiveram de apelar ao Papa.

Uma vez no Equador, fundou uma missão em Chone, onde já não havia padres nem prática cristã. “Na pobreza absoluta, com delicadeza, soube entrar na cultura do povo do Equador, aprendendo imediatamente a língua e iniciando o seu apostolado nas famílias”, refere a nota biográfica do sítio do Vaticano.

Devido a uma perseguição anticristã, durante a revolução liberal de Eloy Alfaro, as irmãs têm de fugir do Equador e, sem destino previamente traçado, são recebidas pelo bispo de Cartagena, na Colômbia. Nesta altura são 14 e estabelecem-se numa ala do hospital local para servir os mais necessitados.

No início, a religiosa queria permanecer ligada ao mosteiro suíço, mas depois apercebe-se que é melhor fundar uma nova congregação, pelo que nasce em Cartagena a congregação das Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora.

Esta congregação tem hoje cerca de oito centenas de religiosas e está presente na América Latina (Bolívia, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, Venezuela, Peru), na Europa (Áustria e Suíça) e em África (Chade, Angola e Mali), dedicando-se às áreas da educação e da saúde e ao cuidado de idosos e de portadores de deficiência. No país natal da fundadora, a congregação tem três lares de terceira idade.

A quando da canonização, para a qual foi decisiva a cura de uma doença pulmonar de uma religiosa colombiana, em Julho de 2007, ouvida por uma publicação suíça, a teóloga Regula Grünenfelder disse de Maria Bernarda: “Hoje ela seria uma feminista que pensa em termos globais. É importante vê-la como modelo para as mulheres na Igreja actual. Com coração aberto, responsabilidade global e compromisso concreto, elas podem contribuir para o bem-estar social”.

S.ta Maria Bernarda tem festa litúrgica no dia 19 de Maio.

Jorge Pires Ferreira

Principais datas

1848. 28 de Maio – Verena Bütler nasce em Auw, no Cantão de Argau, Suíça

1867 – Ingressa nas franciscanas de María Hilf d’Altstatten, perto de St. Gallen

1880 –Torna-se madre superiora

1888 – Parte para o Equador, como missionária, com mais seis religiosas

1895 – Instala-se em Cartagena, Colômbia

1911 – A congregação expande-se para o Brasil

1924. 19 de Maio – Morre em Cartagena, Colômbia

1995. 29 de Outubro – Beatificação por João Paulo II, em Roma

2008. 12 de Outubro – Canonização por Bento XVI, em Roma

Generosidade admirável e radical

É admirável a sua generosidade. De forma radical, desprende-se de tudo e arrisca a sua vida por Cristo, pois o seu desejo maior é anunciar o Senhor até aos confins da terra. Abandona definitivamente a Suíça para pôr-se ao serviço da Igreja, primeiro no Equador e depois na Colômbia, onde partilha do sofrimento do povo, especialmente dos pobres, doentes e marginalizados. (…) Mesmo na perseguição, mostrou que o caminho que supera todos os caminhos é o amor.

João Paulo II,

na homilia da beatificação

Alicerçada e alimentada pela Eucaristia

A Eucaristia é a fonte e o pilar da espiritualidade de Maria Bernarda Bütler, assim como do seu impulso missionário, que a levou a deixar a sua terra natal, a Suíça, para se abrir a outros horizontes evangelizadores no Equador e na Colômbia. Nas sérias adversidades que teve de enfrentar, inclusive o exílio, levava impressa no seu coração a exclamação do Salmo que hoje ouvimos: “Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei porque estás comigo” (Sl 23,4).

Bento XVI,

na homilia da canonização

Abri as vossas casas para ajudar os pobres e marginalizados. Preferi o cuidado dos indigentes a qualquer outra actividade.

Maria Bernarda