Mateus, o cobrador

Ponta de Lança Mateus, que em hebraico significa “dom de Deus”, foi, segundo o relato neotestamentário, um significativo cobrador de impostos das margens do Lago de Tiberíades. A profissão, ao tempo como ainda hoje, não granjeava simpatias!

É sobre este fiscal que recai um dos chamamentos de Jesus mais emblemáticos, mais cromático: Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: “Segue-me”. Ele ergueu-se seguiu-o (Cfr Mt 9,9).

A quem ficaram as suas responsabilidades? Deixou a repartição sem mais? Não tinha deveres para com o Roma (o Imperador)? Não houve pessoas que se tenham sentido lesadas?

As circunstâncias não estão explicadas – não eram importantes para o evangelista. É óbvio que Mateus, que teria formação, terá entretanto resolvido tudo com quem de direito e, depois (não terá demorado uma “centúria”! Não havia tanta burocracia contratual!), partiu.

Jesus, bom profissional, postura cristalina, agiu sabiamente ao fazer o chamamento. Não quis deixar nada por resolver, “a César o que é de César”, máximo respeito pelas leis do Império… e só fez contrato com Mateus depois de tudo resolvido!

Passados mais de dois mil anos, um outro chamamento ameaça a fama de Mateus (o da costa oriental do Mediterrâneo!).

Um jovem operário, amador, deixa tudo e segue outro apelo. Porém, pelo meio ficam alguns contornos contratuais por resolver – coisas de amadores ou de outra coisa qualquer! E o homem não conseguiu deixar tudo, descoberta que foi a tropelia de situações – mais emaranhadas que as redes que davam proveito aos impostos no Mar da Galileia! Num ápice, toda a gente quer cobrar qualquer coisa no “caso Mateus”!

Dois mil anos depois… o Império não perdoa!?

Desportivamente… pelo desporto!