Revisitar o Sínodo Diocesano Em tempo de Encontro Mundial das Famílias, valerá a pena recordar algumas “estratégias” sinodais propostas para obviar a uma Pastoral Familiar realista e, tanto quanto possível, frutuosa. Vou fixar-me sobretudo em duas dessas estratégias.
“Promover, como ponto de partida para uma pastoral familiar realista, o estudo da situação actual das famílias e as perspectivas da comunidade familiar no actual contexto social”. Teoricamente sabemos da crise, dos factores de crise… Mas o que o Sínodo nos quer dizer, seguramente, é que é preciso olhar para aquelas famílias que nos estão confiadas, no seu contexto específico.
Sabemos que o regime fiscal favorece a separação. Mas… é preciso conhecer por que motivo se separaram os que connosco vivem, por que motivo não casam os que vivem em comum, se são solteiros ou são viúvos… É que, às vezes, perder a pensão de sobrevivência do cônjuge é ficar numa situação económica embaraçosa; a separação pode ser a única forma de salvar meios de sobrevivência digna, porque se foi honesto na actividade que levou as forças e o entusiasmo…
Por outro lado, o Sínodo recomenda: “Dar a maior dignidade à celebração litúrgica do matrimónio e à participação consciente e activa dos noivos na cerimónia, devidamente preparada”.
É tarefa quase ciclópica enfrentar a envolvência sociológica (?) da celebração: desde o aproveitamento do cenário religioso para a reportagem audiovisual, ao aparato de flores, fatos novos (e agora os telemóveis!). Mesmo quando fazem esforço para se prepararem com seriedade, os noivos são solicitados para uma série de práticas prévias e concomitantes à celebração que lhes desviam por completo o sentido do mistério sacramental que realizam: “casar no Senhor”.
Mas essa coragem tem de despontar! E consolidar-se! Faz parte da consciência indispensável para a validade do sacramento saber da obrigação de fidelidade, da unidade e indissolubilidade do sacramento, da vontade de assumir em liberdade esta tarefa, que é dignidade e responsabilidade a um tempo. E será que damos lugar e tempo a esta preparação?… Se o casamento católico fosse “privado” deste aparato social, continuaríamos a ter tantos candidatos à “cerimónia” na Igreja (mesmo que eles estejam a diminuir drasticamente)? Não podemos ser os primeiros a favorecer a superficialidade daquilo que, sendo no projecto do Criador um caminho seguro de felicidade, se pode transformar num usual rito sem qualquer significado espiritual e antropológico!
Querubim Silva
