Medicina preventiva

A sabedoria popular diz, com razão: “Mais vale prevenir que remediar”. É um facto universalmente constatado que a medicina preventiva é bem mais eficaz que a medicina curativa, apesar dos enormes progressos que a mesma tem feito, com enormes benefícios para a humanidade.

Muitos nos perguntamos se as crises surgem abruptamente, se elas não dão sinais atempados da epidemia que se aproxima, se não sinalizam suficientemente o caminho que vão percorrer… Mesmo quando se trata de surtos endémicos no foro dos comportamentos humanos, causadores de crises sociais e económicas, como a que estamos a viver. Os tempos não se sucedem por saltos, a idade não se constrói sem nexos de causalidade.

A angústia que estamos a viver já dera, seguramente, sinais da sua aproximação. O modelo de desenvolvimento, ganancioso e individualista, a ausência generalizada de valores, o fosso acrescentado entre os cada vez mais ricos e a crescente multidão dos mais pobres…, de há muito haviam tornado a atmosfera social quase irrespirável. Cada vez mais se tornavam as soluções apresentadas expressões da imagem evangélica: remendos de pano novo em pano velho, multiplicando-se os rasgões cada vez maiores no tecido social.

Perguntamo-nos – e, estou convicto, com legitimidade – por que razão não apareceram em cena, nessa ocasião, os mares de milhões que, agora, miraculosamente são tirados das cartolas dos “ilusionistas” políticos, para remediar o irremediável e, segundo opiniões convergentes, que acabarão por se perder nos corredores da burocracia, favorecendo os menos desfavorecidos e deixando as “gangrenas” económicas a alastrar entre os mais pequenos, com a esteira de consequências gravosas para muitas famílias, que vivem já em situação crítica.

Para não falarmos já na prevenção de fundo, que está sempre a tempo de ser implementada, com frutos garantidos, não necessariamente no imediato, mas sem dúvida a médio e a longo prazo. Refiro-me à educação. À educação em e com valores, formadora de pessoas integrais, que saibam fazer, com os conhecimentos e as tecnologias de que dispõem, o que é bem para todos, que aprendam a viver com os outros… Colocar no topo as competências de uma cidadania activa, que contemple um desenvolvimento pessoal harmonioso e uma consciência, convicção e prática social de raiz solidária, de caridade cristã, para aqueles que se norteiam pela fé.

Essa seria uma bela prenda de Natal: a concertação para uma reforma educativa deste teor, a parceria convicta de todos os parceiros educativos, com relevância para a Família, mesmo que liderada pela Escola, envolvendo, de forma activa e sem preconceitos, Poder Local, Associações, Igrejas… Todos, seremos capazes de mudar o rumo do desenvolvimento e abrir futuro de esperança para a Humanidade…, sem bolas de cristal!