Memória viva de 75 anos de luta pelo Reino

Uma pedrada por semana Encontrei gente de cabeça emoldurada por cabelos brancos ou raros, rugas vincadas em rostos, veias salientes em mãos de trabalho. Não vi nostalgia nem saudosismos. Vi, antes, olhos a reluzir gratidão e corações a ressumar vida. Muitos começaram a aventura aos 14 ou 15 anos. Foram já da “pré”. Depois, a vida continuou no Movimento, seu espaço de crescimento, aprendizagem e acção. Reconheci muitos. Pelo nome, o organismo, a terra e a diocese. Conheci-os a todos com o coração. A multidão que enchia o grande espaço de encontro, ouvia-me com interesse e ia dizendo o seu acordo com olhos que sorriam e cabeça que meneava.

Rostos satisfeitos com o ardor incontido que lhes vinha de dentro. Uma linguagem que todos entendiam.

Foi no Porto, na comemoração dos 75 anos da Acção Católica Portuguesa. Como foi bom ter respirado ares de tanta generosidade e participado num almoço, onde era de todos o de cada um! A história sempre guardará o que nela se construiu. E na Acção Católica, além do Reino, construiu-se vida comum com tantas histórias pessoais, familiares, sempre histórias de solidariedade, colaboração e partilha!

É assim a Acção Católica: Evangelho em acção; vida vista com outros olhos; compromisso cristão para além das palavras; “formação na acção”; trabalho de equipa a exorcizar egoísmos; atenção a dinamismos sociais que não se enxergam do templo; coração aberto a companheiros da mesma trincheira, nem sempre da mesma fé, onde a luta comum se faz pela justiça e pela verdade; capacidade para persistir ou para começar de novo…

Outros movimentos laicais surgiram. Nova consciência de ser leigo cristão se expandiu. Meios sociológicos que cada dia se alteram. Pelo meio dos 75 anos, um Concílio e uma revolução…

A riqueza de uma metodologia, o realismo a orientar passos de compromisso, o testemunho de dedicação a toda a prova, são património que AC nos vai legando, como escola onde se aprende a ser cristão apóstolo e a ser estímulo de renovação de comunidades envelhecidas e de crentes presos a tradições, sem vida nem futuro.