Menos moliceiros numa regata lenta

Presidente da Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro quer alterações na legislação para que naveguem mais moliceiros.

Os primeiros moliceiros eram esperados pelas 16h, na antiga lota de Aveiro. Chegaram depois das 19h. O pouco vento que se sentiu no dia 2 de Julho, sábado, fez com que a 26.ª regata fosse uma das mais lentas dos últimos anos. À frente de todos chegou o “Doroteia Verónica”, de Gonçalo Vieira, jardineiro, residente na Branca, mas com origens na Torreira. Seguiram-se os moliceiros “Zé Rito” e “António Garete”, que têm proprietários homónimos. Dos 11 moliceiros que integraram a regata, número inferior a anteriores edições, alguns optaram por usar o motor, ficando desclassificados da prova náutica. Foi o caso de Virgílio Pinto, do “Sara e Cristina”, que resumiu a situação com humor: “A regata correu bem. Quando havia vento, púnhamos a vela. Quando não havia, ligávamos o motor”.

O pódio do concurso dos painéis foi ocupado pelos moliceiros “Zé Rito” (1.º), “António Garete” (2.º) e “A. Rendeiro” (3.º).

Durante a atribuição de prémios, ao princípio da tarde de domingo, a Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro (AARBM) manifestou desagrado por os donos dos moliceiros não poderem circular com os barcos em actividades recreativas. A legislação exige que sejam detentores de carta de patrão local, não lhe dando equivalência à cédula de moliceiro, o que faz com que pessoas com décadas de experiência na Ria não possam sequer passear com a família na embarcação. Se quiserem fazê-lo, têm de tirar uma licença na capitania, enviar uma relação das pessoas que vão no barco e fazer um seguro. “Há dias, um senhor com anos e anos de experiência quase não conseguia tirar a carta porque o seu problema era não saber como responder a um teste de cruzinhas, porque de resto sabia tudo sobre a Ria e como navegar”, contou ao Correio do Vouga Manuel Augusto Gomes de Oliveira, presidente da AARBM, considerando imprescindível a alteração da legislação para “ver o moliceiro a navegar na nossa Ria” com mais frequência.

Miguel Matias, da Costa Nova, serviu-se do momento em que recebia o seu prémio de participação na regata para criticar a AARBM. Tendo recuperado o moliceiro “Pardilhoense”, lamentou que a associação que promove a embarcação típica da Ria não lhe tenha dado qualquer apoio financeiro.

J.P.F.