Mercado livre dos novos escravos

Uma pedrada por semana Quando o desporto deixou de ser um espectáculo normal para se tornar uma actividade empresarial, o dinheiro e os interesses tornaram-se a linguagem corrente, o mercado abre-se à venda do homem, à troca do homem, ao empréstimo interessado do homem, ao desprezo pelo homem que já serve.

O dinheiro substituiu a paixão pelo clube que se serve, as relações são apenas laborais. Hoje canoniza-se, amanhã diaboliza-se a mesma pessoa.

Mais um espaço de pobreza social, de ódios e de vinganças, de jogo sujo, que não só dentro do campo.

É preciso ganhar a qualquer custo, sem olhar a meios. Daí as redes de corrupção. Os problemas evidentes e à vista desarmada, atam-se e arrumam-se sempre, por… “falta de provas”. Pudera!

O futebol tornou-se um Portugal à parte. Goza de horas sem fim com mesas redondas na televisão, onde se diz o mesmo e ninguém diz nada que valha para o dia seguinte.

Não se vê ninguém de nome a falar dos ordenados e das transferências escandalosas, muito menos gente dos partidos políticos. Criticar clubes é perder votos e correr risco de maus encontros.

As novas máfias gozam de imunidades impensáveis. O povo, porque gosta de futebol contenta-se ou entristece-se segundo as vitórias ou derrotas do seu clube. Chama nomes feios, mas só aos árbitros…Como em tantas outras coisas, tristes e lamentáveis, não há volta a dar. Agora é assim!